Fora da Ordem

Rubel experimenta e mostra pluralidade em ‘Casas’, seu novo álbum

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Rubel
Casas (2018)
Dorileo / Natura Musical

(Foto: Guido Argel)

É justo que Rubel não queira se repetir. Lançado no último fim de semana, Casas, o segundo álbum do músico e cineasta carioca é um trabalho pensado para soar único. Por mais ambicioso que possa parecer. E, se não soa único, soa novo.

Capa de ‘Casas’

Existe um cuidado nas notas que abrem o disco, quase um aviso de que aquele registro para compartilhar a descoberta do mundo, como foi o bonito Pearl (2013), ficou lá atrás. Agora o compositor pega as memórias como fundamento para abrigar as referências que têm encontrado no caminho. Tudo na maior elegância.

O sucessor de Pearl tem 14 faixas, com participações luxuosas de Emicida, em “Mantra”, e Rincon Sapiência na esperançosa “Chiste”. Essa última uma canção de protesto a seu modo. A relevância do hip hop para o que Rubel e seus parceiros criam nesses momentos é fundamental para a pluralidade que o disco representa.

Há espaço até para fragmentos do curta-metragem “Passagem” na faixa de mesmo nome. E aqui fica óbvio o apego ao passado que guiou grande parte da composição do álbum, mas é puro lirismo. O músico trouxe ainda o samba, em “Batucada”, e o pop, em “Partilhar”.

Rubel explora inteligentemente os percursos que a música oferece, e isso inclui abraçar elementos eletrônicos sem esquecer da brasilidade. A musicalidade segue suave, ainda que seja clara a complexidade desse trabalho. E o resultado é um disco que reflete o que há de mais moderno na MPB.

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