Fora da Ordem

Com gritos políticos e “Lula Livre”, Elza Soares faz show apoteótico no Festival Vida&Arte

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(Foto: Mateus Dantas/O POVO)

Um show que começa com “Computadores fazem arte”, de Chico Science, não é apenas um espetáculo musical. A Voz e a Máquina, que Elza Soares apresentou na segunda noite do Festival Vida&Arte 2018, é antes de tudo, um espaço de gritos e afirmação.

O set traz versões de “Hoje É Dia de Festa” (Jorge Ben), “Fadas” (Luiz Melodia), e uma sequência em homenagem a Cazuza que inclui “Nós”, famosa na voz de Cássia Eller, “O Tempo Não Para” e “Milagres”. “Lembrando do nosso poeta que já sabia de tudo, já sabia do futuro”, disse. Após exaltar Cazuza, a plateia entoou coro de “Lula Livre”.

Elza não para em sua cadeira e nem deixa o público parado. A todo momento, incentiva gritos de mulheres e homens, um gênero por mês. “A gente não tem raiva dos homens, não. A gente tem é que ajudá-los. Eles foram criados assim, tadinhos. Vamos colocá-los no colo. Por isso que Deus é mãe”!

O show seguiu com “Opinião” (Nara Leão), “A Carne”, dois dos maiores sucessos da carreira de Elza, e a denúncia contra o preconceito em forma de hino “Não Recomendado” (Caio Prado). Mas essa veio com um pedido: “Prestem atenção na letra”. (A placa de censura no meu rosto diz / Não recomendado à sociedade / A tarja de conforto no meu rosto diz / Não recomendado à sociedade), protesta o refrão.

Isso porque a música resume bem o desejo da cantora em fazer um espetáculo contra qualquer tipo de repressão. É, como ela mesma falou em entrevista ao Blog, um tapa na cara.

“Não há cura para o que não é doença. Vamos reagir! Quanto preconceito, quanta homofobia, quanta violência doméstica. Vamos gritar, minha gente”!

É justamente por isso que A Voz e a Máquina é desses shows que precisam ser vistos não só quem aprecia a música da carioca que completa 90 anos neste dia 23. É statement para uma sociedade preconceituso, hipócrita e intolerante. É político como ela sempre foi mas, antes de tudo, didático.

Para encerrar, “Na Pele”, parceria lançada co Pitty em 2017, e a dobradinha “A mulher do fim do mundo” e “Maria da Vila Matilde”, duas de suas maiores obras-primas e que a colocam, em plenas oito décadas de vida, como uma das artistas mais atuais e corajosas do País.

Setlist – A Viz e a Máquina

1. Computadores fazem arte
2. Hoje é dia de festa
3. Fadas
4. Nós
5. O tempo nao para
6. Milagres
7. Opinião
8. A Carne
9. Nao recomendado
10. Na Pele
11. A mulher do fim do mundo
12. Maria da Vila Matilde

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