Fora da Ordem

“Aquenda”, Carnaval e o corpo político de Getúlio Abelha

Getúlio Abelha prefere usar calcinha. “Aquenda“, nova música do artista piauiense radicado no Ceará, canta sobre a hipocrisia que não cabe numa peça de roupa como aposta para o Carnaval – entrando na gama de artistas populares que investem no possível hit do verão.

A música trata do uso da calcinha como símbolo da liberdade e ato político, sem entrar no lugar de fala da “galera que prefere usar cueca”, em referência às mulheres que fazem uso da peça conhecida pelo chamado vestuário masculino.

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Há também um recado para a sociedade alienada com os reais efeitos da história do Brasil, como no seguinte verso: “Você pare de frescura e vá ensinar pra elas o que foi a ditadura / Isso, sim, é um problema / Isso, sim, é uma sequela”.

A sonoridade é também uma curiosa combinação do que Getúlio tem apresentado no próprio repertório. Das batidas frenéticas do tecnobrega ao forró, sem deixar de ser pop e de brincar com outras referências sonoras. Destaque para o arranjo com forte presença de sintetizadores, sanfona, triângulo e guitarra.

A música ganhou lyric vídeo:

Não é a primeira vez que o artista aposta na crítica ao conservadorismo. O clipe de “Tamanco de Fogo“, lançado em novembro de 2018, faz duras críticas ao fanatismo religioso e ao discurso de ódio. Getúlio foi um dos convidados na primeira temporada do podcast Fora da Ordem.

Feira da Música

Getúlio faz show em Fortaleza no próximo dia 15, na programação da Feira da Música, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Ele é o último a se apresentar no Palco Mineração de Asteróides, no novo Anfiteatro do equipamento cultural. Abelha sobe ao palco às 2h30min, após artistas como Hell Lotus (RN) e Jessica Caitano (PE).

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