Fora da Ordem

Exploração da natureza violenta e sexual se sobressaiu aos elementos fantásticos de Game of Thrones, diz escritora

A escritora cearense Kah Dantas, que escreveu pesquisa de mestrado sobre a série Game of Thrones, comenta a reta final da série. Kah é autora do livro “Boca de Cachorro Louco“.

Por Kah Dantas

(Foto: HBO)

A Guerra dos Tronos da HBO chegou ao fim. Resta-nos, satisfeitos ou não, aguardar os dois últimos livros da saga de George R. R. Martin que, com os mecanismos mais generosos de tempo e espaço reservados às narrativas literárias, quem sabe poderão trazer um final menos apressado.

Hoje, quase dois anos após a publicação da minha pesquisa de mestrado sobre GOT, tenho confirmadas as minhas suspeitas de 2016, quando compreendi que a narrativa inovadora dessas obras caminhava rumo ao desfecho comum das fantasias épicas, com uma jornada de herói bem delineada e o triunfo do bem sobre o mal.

Em meu estudo, evidenciei que a luta pelo poder construída por meio dos jogos de intrigas e ações exercitados pelas personagens centrais dessas obras era a principal estratégia narrativa para a composição da verossimilhança e do universo ficcional de GOT, complementada pela exploração da natureza violenta e sexual dos seres humanos que, afinal, sobressaía-se em detrimento dos elementos fantásticos que costumam povoar as fantasias épicas tradicionais.

E foi assim mesmo que a série se tornou um grande sucesso de produção e de público, tornando-se a mais assistida da TV a cabo: tragando-nos para dentro de seu enredo cujos conflitos políticos e sociais seríamos muito bem capazes de identificar no mundo real, seja nos castelos da Europa medieval, seja no Palácio do Planalto.

“O poder é uma coisa curiosa”, já dizia o saudoso Varys. Por isso espero, otimista, que ainda veremos mais dessas deliciosas intrigas.

+ O fim de Game of Thrones: quem reinará em Westeros?

Recomendado para você