Fora da Ordem

Marina Lima fará show em Fortaleza no segundo semestre

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Marina Lima virá a Fortaleza no segundo semestre de 2019. Ela deve fazer o show do disco Novas Famílias, lançado em 2018. Data e local serão divulgados em breve. A artista carioca virá pela produtora Caixa de Evento, que acabou de trazer Duda Beat.

A última vez de Marina em Fortaleza foi em setembro de 2018, quando se apresentou ao lado do irmão Antônio Cícero, no Cineteatro São Luiz. Veio também em novembro de 2016, dividindo o mesmo palco com o músico paraense Arthur Kunz, da banda eletrônica Strobo.

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Novas Famílias

Muitos são os caminhos para onde Novas Famílias, álbum de Marina Lima lançado em 2018, apontam. A renovação de uma artista de 63 anos e 21 discos lançados não vem sem preço, e isso a carioca entende bem.

O trabalho é, antes de tudo, disruptivo ao apresentar um funk de protesto, debochado, como cartão de visita deste momento.

E quando Marina aposta no funk “Só os Coxinhas”, não deságua no senso comum de uma expressão cultural tão popular. Mas sim numa série de rupturas necessárias para se fazer ouvir no caos, fora da ordem de tudo que ela apresentou antes.

É no gênero marginalizado e bombardeado pelo conservadorismo que ela e o irmão Antônio Cícero, imortal da Academia Brasileira de Letras, encontram espaço para provocação. Marca também o retorno de uma parceria há 18 anos interrompida.

Quinta-faixa do disco, “Só os coxinhas” é precedida por canções que estabelecem uma Marina sempre atual.

A faixa-título, com piano de Marcelo Jeneci e a intensa voz rouca de Marina, enterra qualquer possibilidade de olhar para o passado em versos como: “Céus, e essas novas famílias / com terras molhadas com amor / minando qualquer ditador”.

Em “Juntas”, enterra o bairrismo e defende a coletividade e a necessidade criativa de misturar gerações.

A dobradinha “Árvores Alheias” e “Mãe Gentil” é o petardo dessa renovação estética. É o ponto que expõe a maior influência de Dustan Gallas (da cearense Cidadão Instigado) e Arthur Kunz na produção conjunta com Marina.

O disco traz ainda faixas que expõem a veia mais brasileira, seja no samba cadenciado de “Climática”, ou na sonoridade genuinamente paraense de “É sexy, é gostoso”, composta por Marina com Dustan e Arthur Kunz.

Não que Marina olhe para frente ao tocar sonoridades antes por ela não desbravadas, mas soa moderno o resultado de Novas Famílias. Seja no som ou no discurso. Atual, ousada e de língua afiada, Marina sabe que não é tempo de retroceder.

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