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Ceará: demissões de gerente de futebol e preparador de goleiros expõem mais problemas

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Na busca para tentar reagir na Série B, a diretoria do Ceará demitiu dois profissionais nesta quarta-feira. Saíram Diego Cerri, gerente de futebol, após dois anos e meio de trabalho e o preparador de goleiros, Marcos Gomes.

Cerri deixa o clube com acertos e erros. Responsabilizá-lo unicamente pelo insucesso das contratações recentes é injusto, até porque ninguém decide sozinho pela chegada de atletas. Neste ano, por exemplo, jogadores que foram trazidos renderam valores para o Ceará nunca vistos pelo clube, casos de Marinho e Sandro Manoel. O time também foi campeão da Copa do Nordeste. Na mesma proporção, atletas sem gabarito técnico e longe dos gramados há meses foram trazidos e, muitos, dispensados.

O caso do preparador de goleiros é sintomático. Não conheço o trabalho de Marcos Gomes no dia a dia, mas Luis Carlos esteve brilhante no ano passado e até o título regional. Caiu demais de produção com Silas no início da Série B e então Tiago se tornou titular. Geninho, que foi goleiro, também o manteve, mas o jogador começou a ser perseguido pelos torcedores sem nenhum motivo aparente. Tiago não tem e não teve qualquer responsabilidade pelo Ceará ser a terceira pior defesa da Série B.

O caso ganha contornos estranhos quando Tiago passa de titular para não relacionado de uma partida para outra. Na derrota para o América-MG, nesta terça-feira, Everson, recém contratado, atuou e Luis Carlos ficou no banco.

É natural que profissionais que não estejam rendendo sejam trocados. É prerrogativa da diretoria agir, mas as duas demissões repentinas carregam um caráter populista grande e expõem problemas que deveriam ser identificados bem antes. Outro ponto que considero relevante: as demissões não podem justificar, isoladamente, o momento ruim do clube. Não faz sentido.

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