Futebol do Povo

Faz sentido um Clássico-Rei para pagar as 1580 cadeiras quebradas na final do estadual?

1883 33

Uma partida entre Ceará e Fortaleza ainda em 2015 para que as receitas sejam revertidas para o pagamento dos estragos deixados pela barbaridade que o Castelão viveu na final do campeonato estadual.

A ideia, de acordo com o secretário de esporte do governo, deputado Jeová Mota – em entrevista ao Trem Bala da TV O POVO nesta terça-feira – foi aceita pelos clubes e já tem apoio de algumas empresas que poderão patrocinar o evento. A Luarenas, atual administradora do estádio, já coloca a eventual partida no seu pacote de venda dos camarotes do Castelão para este ano, ao lado do mata-mata da Série C e do jogo do Brasil diante da Venezuela, nas Eliminatórias.

A situação, entretanto, me parece sem cabimento. Primeiro, porque essa dívida já tinha que ter sido cobrada dos clubes faz bastante tempo e, estes, por sua vez, já deveriam ter cobrado dos torcedores que poderiam ter sido identificados facilmente com tantas imagens disponíveis, tanto das emissoras como do sistema de segurança do estádio.

Some-se a isso achar um dia para que as equipes joguem com as equipes titulares num período em que o Fortaleza está simplesmente decidindo sua vida na Série C e o Ceará luta para não se rebaixado na Série B. Ainda que tal peleja seja realizada em novembro, o espírito do torcedor será decidido pelo destino de cada clube neste ano.

Além disso, colocar na conta do torcedor de bem uma quebradeira imensa numa partida que terá o nome de “Clássico da Paz” é querer explorar demais a boa vontade alheia. E ainda correr o risco de mais cadeiras quebradas.

Em tempo. A Secretaria de Esportes diz que não quer divulgar os valores do prejuízo para não estimular mais rivalidade, o que considero um erro e uma falta de transparência se motivo. O órgão entende que o tal jogo é a melhor solução. Valeu lembrar que do lado da torcida do Fortaleza a Arena alega que foram 420 cadeiras quebradas e dois aparelhos de televisão. Do lado do Ceará a alegação é de 1160 cadeiras quebradas e sete aparelhos de televisão.

Recomendado para você