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Chamusca: “Meu desejo é o Guarani fazer a final contra o Fortaleza”

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Foto: Israel Oliveira / Guarani F.C

Foto: Israel Oliveira / Guarani F.C

“Pelas importantes histórias de Guarani e Fortaleza, pelos grandes momentos que viveram na Série A e por terem torcidas apaixonadas, meu desejo é que esse confronto seja a final da Série C. Agora, claro que estamos preparados para qualquer adversário. Estou estudando demais os cinco primeiros colocados do grupo B, conheço bem o futebol nordestino e, na verdade, não tem a mínima condição de escolher adversário pela dificuldade geral”.

Assim terminou o ótimo papo que tive nesta sexta-feira com Marcelo Chamusca. Ao aceitar um salário menor do que recebia no Fortaleza e no Sampaio, o técnico tinha o desejo de mostrar seu trabalho em um centro que ainda não o conhecia de perto. A aposta deu certo e o Guarani, líder do grupo B da Série C, já está classificado para o mata-mata. Chamusca, por sua vez, aumentou demais o seu prestígio e contatos de outros clubes já surgem o tempo todo.

“Comparando com o que vivi no Fortaleza, a pressão de ficar bastante tempo na Série C é algo muito grande. O trauma atrapalha demais a atmosfera no momento decisivo. É uma coisa muito difícil de ser controlada. Aqui em Campinas a pressão ocorreu porque o momento do clube era ruim, mas na Série C, com a campanha que estamos fazendo, a pressão é muito menor. O Guarani teve um primeiro semestre ruim, nem para a segunda fase da Série A2 do Paulista o time havia conseguido se classificar. O que conseguimos aqui já deixou uma marca relevante até porque é tudo novo para o clube, essa condição atual de tranquilidade. Montamos o time no meio da competição, até duas semanas atrás estava recebendo jogadores, mas encaixamos bem o esquema e eu optei por trazer jogadores que já tinham trabalhado comigo e conheciam meu estilo. Meu time gosta de bola no chão, não rifamos a bola e por isso sempre torço para jogarmos em gramados com boas condições”.

Com 34 pontos, o Guarani, com uma folha de pagamento de apenas 340 mil reais, incluindo encargos – metade dos gastos do Fortaleza, por exemplo – tem o mais alto aproveitamento da Série C. É o time que mais venceu, o que menos perdeu. tem a melhor defesa, além de ser o melhor mandante e o melhor visitante.

Sobre a diversidade técnica entre os dois grupos, Chamusca não considera que seja relevante o suficiente para apontar favoritismo, mas faz questão de pontuar diferenças claras de proposta de jogo. “Os times do grupo A jogam com base em muita velocidade. Já no grupo B as partidas têm muito mais contato físico, os jogadores atuam com mais força de marcação e o sucesso no mata-mata pode estar justamente nessa adaptação ao jogo do concorrente. Agora, tecnicamente os melhores times dos grupos são equivalentes e por isso não há garantia de nada”.

Chamusca comandou o Fortaleza na Série C em 2014 e 2015 e o time ficou em primeiro lugar na fase inicial, com derrotas no mata-mata para, respectivamente, Macaé e Brasil de Pelotas. “Fizemos um trabalho muito bom no Fortaleza. Ano passado nossa preparação foi de equipe de Série A ou até de seleção. Finalizamos 10 vezes mais do que o Brasil no jogo de volta, tivemos quase 75% de posse de bola, mas a proposta do adversário deu certo e o futebol é isso. E o Brasil manteve a base e está muito bem na Série B atual, com força e competência”.

Com o treinador estão em Campinas também o auxiliar Caé Cunha (continua vendo o primeiro tempo dos jogos do alto da arquibancada) e o preparador físico Roger Gouveia, que trabalhou no Fortaleza de 2007 até 2015 no Fortaleza. Conversei com Roger também. “Efetivamente o futebol desse grupo A é de muita força, contato, bolas paradas. Nossa preparação física é sempre integrada com a preparação técnica e o trabalho tem surtido efeito. Sobre o acesso, tenho o mesmo desejo do Chamusca: enfrentar o Fortaleza na final da Série C seria um prêmio”.

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