Futebol do Povo

É muito melhor para o próprio Ceará não disputar a Copa do Nordeste 2017

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A então renúncia tripla e pública de participar da Copa do Nordeste 2017 de Uniclinic, Guarani e Guarany foi o assunto do sorteio da Copa do Nordeste, em João Pessoa. Raimundo Pinheiro, primeiro vice-presidente do Ceará estava lá e foi procurado por dezenas de jornalistas para falar sobre o assunto. Educado, enquanto acompanhava online e ansioso a partida diante do Joinville, respondia que se fazia presente como representante legítimo de um clube fundador da Liga e nada mais.

Os dirigentes de todos os outros clubes, entretanto, se manifestaram. Santa Cruz e Bahia foram os mais veementes e se mostraram contrários ao Ceará entrar na competição. Foram mais incisivos até mesmo do que o Fortaleza, que estava representado pelo presidente Jorge Mota, que mostrou publicamente mais indignação pela atitude dos três clubes renunciantes do que com a do rival. O vice do Santa Cruz , Constantino Junior, falou em golpe e virada de mesa. E disse que não vai aceitar. Marcelo Sant’Ana, presidente do Bahia, avisou que a maior necessidade é preservar a competição e a entrada do Ceará não ajuda em nada essa condição.

A Liga do Nordeste também teme que a participação do Ceará no ano que vem deixe uma aura negativa. Primeiro porque todos os grandes clubes que não se classificaram para o torneio desde 2013 ficaram de fora. Segundo porque o Uniclinic poderia ter renunciado meses atrás. Depois, porque não compreende os motivos dos Guaranis também desistirem na mesma hora, com anuência da Federação Cearense de Futebol, inclusive dando publicidade numa ata no prédio da entidade.

Por falar em Federação Cearense, Mauro Carmélio não foi ao sorteio, algo raríssimo. Era, sem dúvida, o dirigente mais aguardado no evento no Centro Cultural Ariano Suassuna, dentro do prédio do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. Não foi certamente porque quis evitar dar maiores explicações, inclusive para outros dirigentes – incluindo os da CBF que lá estavam – que não entenderam a sua postura no caso.

É evidente que a entrada do Ceará seria excelente para a Copa do Nordeste pensando em todos os pontos de vista, menos no mais importante, o do critério técnico. Assim, entendo genuinamente que para o próprio Ceará é muito melhor ficar de fora da competição. O desgaste que o clube sofreria seria enorme. A repercussão, nacional, péssima. O custo benefício não compensaria.

Tenho visto nas redes sociais muitos torcedores do alvinegro desconfortáveis com essa possível entrada do time, hoje mais complicada já que o Guarani parece ter mudado de ideia (a FCF já comunicou a CBF disso, inclusive). Aliás, a justificativa para a renúncia inicial do time de Juazeiro é curiosa, para não dizer surreal. Ao alegar que não sabia que não seria obrigado a dar a sua cota ao Uniclinic e que não teria todas as despesas de transporte, alimentação e hospedagem pagas, o clube mostrou desconhecimento banal da Liga do Nordeste. E, ainda que existisse dúvida, uma ligação telefônica resolveria.

Ainda sobre a torcida do Ceará, é bom que haja esse desconforto com a eventual participação da equipe na Copa do Nordeste 2017. É uma demonstração de grandeza. Ao mesmo tempo, há os que defendem e alegam que os outros clubes estão com medo. São aqueles que pensam que entrar na Copa do Nordeste vale, custe o que custar. Só que não se trata disso.

O Ceará desde que a nova gestão assumiu lá em 2007 virou referência de organização administrativa na região, pagou milhões em dívidas trabalhistas, se modernizou e tem formado bons elencos em disputas constante de títulos, ganhando ou não. O clube que mudou para muito melhor nos dez anos recentes pode perfeitamente – tem totais condições para isso, por mérito próprio – ficar um ano fora da competição, assumindo as consequências de uma campanha ruim no estadual de 2016. É uma lição até para que isso não ocorra de novo e uma forma de autopreservação relevante.

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