Futebol do Povo

Marquinhos Santos de volta ao Fortaleza: o futebol tem uma ética muito particular

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A madrugada do dia 19 de setembro de 2016 volta à tona. Foi quando o então técnico do Fortaleza, restando apenas os dois jogos do mata-mata da Série C, pediu demissão para treinar o Figueirense. Em Santa Catarina, o desempenho do time, que já era ruim na Série A, despencou ainda mais com Marquinhos Santos. Nesta temporada, mantido no cargo, o ruim futebol no estadual e a eliminação na primeira rodada da Copa do Brasil para o Rio Branco-AC formaram o cenário ideal para a sua saída.

Naquele dia, escrevi que a decisão era inacreditável e que não fazia sentido pelo discurso que o próprio técnico patrocinava, mas completei: “É preciso salientar, entretanto, que Marquinhos Santos, como profissional, tem o óbvio amplo direito de fazer o que bem entender com o carreira, assim como qualquer pessoa. Sobre ser uma atitude com potencial de marcá-lo negativamente, tenho minhas dúvidas, já que o futebol tem uma linha de conduta ética muito particular. Não resta dúvida, entretanto, que foi um abandono de barco marcante – confesso não me lembrar de algo parecido – que deixou boa parte da torcida indignada.”

A indignação dos torcedores foi enorme, porém um detalhe me chamou atenção: o presidente Jorge Mota em momento algum falou mal do profissional. Já vi bastante coisa no futebol e por isso não me surpreendo em nada com essa volta cinco meses depois. Jorge sempre admirou muito o trabalho de Marquinhos e fez o convite, ainda que, internamente, outros dirigentes fossem contra esse retorno.

Com o trabalho inconsistente de Hemerson Maria somado a uma falta de paciência das arquibancadas em níveis muito acima do normal pelo pânico de seguir na Série C, a indignação contra a saída de Marquinhos Santos está dissipada. Se ele fez um péssimo trabalho no Figueirense – e fez – também parece pouco importar para o torcedor tricolor. A repercussão é muito mais positiva do que negativa. Valeu o lado profissional e a esperança. Resta saber – e é legítimo duvidar – se ele vai terminar o que começou. Só o tempo.

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