Os nove gols que o Uniclinic levou do Náutico (5 a 0 já aos 18 minutos do primeiro tempo) na chuvosa noite desta quarta-feira em Horizonte, estive lá, por sinal, rodada derradeira da fase inicial da Copa do Nordeste, não resumem o péssimo momento do futebol cearense em 2017. Há muito mais a se lamentar e a se preocupar, a começar pela postura da própria Águia da Precabura, que tentou vender a vaga na competição com chancela da Federação Cearense e aceitação do Ceará mas, diante da repercussão péssima nacional, recuou para fazer um papelão de seis derrotas, nenhum gol marcado e 24 sofridos, na pior campanha de um clube na Copa do Nordeste, incluindo também a maior goleada tomada.

Também nesta quarta-feira, o Fortaleza entrou em campo para um melancólico encontro contra o Bahia, em Salvador. Com o time reserva, já eliminado, nada fez, a não ser esperar o tempo passar e perder por 2 a 0 para voltar logo pra casa.

Para as quartas de final do Nordestão, passaram Bahia, Vitória, Sport e Santa Cruz, dois representantes de cada um dos estados mais fortes no futebol da região. Os outros quatro clubes são: Itabaiana-SE, Sergipe, River-PI e Campinense-PB, com todos os méritos. Nada de Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão e Alagoas.

Na Copa do Brasil a situação foi igualmente ruim. Ceará e Fortaleza conseguiram colecionar eliminações precoces em um jogo para Boavista-RJ e São Raimundo-PA, equipes com poder financeiro muito pequeno diante dos rivais cearenses. Uniclinic e Guarani de Juazeiro também já caíram do torneio.

Para além do mau desempenho nas competições, o futebol apresentado até agora tem sido de qualidade desastrosa, especialmente para Fortaleza e Ceará. O resultado disso: vaias, protestos com invasão de treinamento, muros pichados, ameaças sérias sofridas por técnicos e jogadores, trocas de comissões técnicas e uma perspectiva preocupante para o Campeonato Brasileiro que se aproxima.

Ao torcedor, como sempre, resta a esperança, na maioria das vezes sem lógica, fruto dessa paixão sem explicação por um time de futebol. Aos clubes, resta tentar recuperar alguma competência enquanto é tempo. Ainda é possível.

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Fernando Graziani

Fernando Graziani é jornalista. Cobriu três Copas do Mundo, Copa das Confederações, duas Olimpíadas e mais centenas de campeonatos. No Blog, privilegia análise do futebol cearense e nordestino.

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