Futebol do Povo

Fortaleza: direto do túnel do tempo (2007-2017)

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Em dezembro de 2006 Marcello Desidério foi eleito presidente do Fortaleza. O clube tinha acabado de ser rebaixado da Série A para a Série B do Campeonato Brasileiro (fez 38 pontos em 38 jogos). No Estadual daquele ano, tinha perdido a chance de ser tetra para o Ceará, em dois jogos finais que terminaram 1 a 0 para o Alvinegro. Em janeiro de 2007, Desidério anunciava toda a sua diretoria. No futebol profissional o escolhido foi Antônio Renan Vieira e Silva. O gerente de futebol em 2007, já estava no clube desde 2004, era Sergio Pappelin. O técnico contratado e que seria campeão estadual após alguns meses: Paulo Bonamigo (que depois do título optou por dirigir o Goiás em 2007, ano em que, na Série B, o Fortaleza terminou na quinta colocação, com 56 pontos).

Dez anos depois, os personagens se repetem. Marcello Desidério, atual presidente do Conselho Deliberativo, ajudou a articular a renúncia e o discurso apaziguador do então presidente Jorge Mota (e de seus dois vices, Ênio Mourão e Evangelista Torquato), além da criação de um comitê gestor de apaixonados pelo Fortaleza (e dispostos a injetar dinheiro, já que o clube passa por evidentes dificuldades). Um dos cotados inicias para o comitê foi Renan Vieira, que ainda não sabe se vai ajudar efetivamente ou não. Sergio Pappelin, atualmente no Cuiabá, foi convidado para retornar. O dirigente tem interesse, mas só responde após a final do Campeonato de Mato Grosso (o Cuiabá venceu o Sinop na primeira partida por 2 a 1). Paulo Bonamigo, que não treina uma equipe brasileira desde 2009, foi anunciado como treinador.

Vai dar certo?

Impossível saber. Da forma que estava não era possível permanecer. É um momento ímpar e extremo na história do clube, que terá novas eleições em pouco mais de um mês. O comitê gestor – que terá um candidato que certamente será o eleito – chegará com dinheiro para minimizar os problemas do Fortaleza. Rescisões contratuais precisam ser feitas e novas contratações também. É preciso repensar o clube todo. Seus dirigentes terão que deixar a vaidade de lado e trabalhar profissionalmente. E rápido. Paulo Bonamigo terá pouco tempo para formatar um time. Seus anos nos Emirados Árabes não são razões para desacreditar na sua competência. Também não são razões para acreditar. Os três primeiros jogos da Série C são complicados, diante de três finalistas de estaduais: Remo, Botafogo-PB e Salgueiro.