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Por que a jaqueta de couro representa rebeldia no universo do Rock’n Roll?

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Muitos fãs de rock and roll, e até mesmo pessoas fora desse circuito, não entendem o motivo da jaqueta de couro ter se tornado um símbolo desse estilo, mais precisamente um símbolo da rebeldia dos anos 50. Sabe por que usar uma jaqueta de couro em 1954 era considerado “coisa de marginal” ou de delinquente juvenil? Tem tudo a ver com os pilotos da Segunda Guerra Mundial e com as gangues de motociclistas que eles formariam mais tarde!

Na Segunda Guerra os aviões não eram como hoje. Por exemplo, atualmente, o F–5 é um caça-bombardeiro, serve como avião de combate e também cumpre a função de bombardear seu respectivo alvo. Em 1944, havia aviões apenas com a função de bombardeiro, como o americano B–52, e os caças (aviões para combate e bem menores) serviam de escolta por uma parte do tempo. Qualquer uma dessas aeronaves não possuía tanta tecnologia como as atuais, o que obrigava os pilotos a usarem roupas que esquentassem o corpo, como jaquetas de couro. Essa realidade foi muito bem mostrada no filme Memphis Belle, de 1990, no qual o Belle foi um bombardeiro que completou 25 missões com sua equipe intacta.

O B – 17 Memphis Belle, nomeado em homenagem à namorada do capitão Robert K. Morgan’s, e sua equipe. (Foto: Reprodução)

Desde a primeira guerra, os aviões já eram “customizados”, inclusive com nomes. Então as equipes dos bombardeiros começaram a gravar o símbolo e o nome do avião nas costas da jaqueta, além de pintá-los no avião para identificar e intimidar os inimigos. Após o fim da Guerra, quando muitos jovens voltaram aos Estados Unidos, se encontraram desempregados e pior, foram marginalizados por grande parte da sociedade que protegeram. Venceram uma ditadura na Europa e encontraram outra na América.

Por conta disso, alguns desses rapazes, que já eram verdadeiras gangues durante os combates no céu da Europa, se reuniram em grupos de motociclistas. A motocicleta, já disseminada durante a guerra, era um veículo barato e econômico, fato que ajudou na formação dessas gangues, as quais tomavam os nomes dos bombardeiros emprestados. Os integrantes fizeram a mesma coisa com as jaquetas… já que não tinham dinheiro para roupas mais caras, começaram a usar jaquetas de couro, jeans, camiseta e botas por ser algo simples e barato. Nas costas das suas jaquetas repetiram o ato dos pilotos.

Uma das primeiras gangues de motociclistas, 1947 (Foto: Reprodução)

A juventude americana, que crescia sob uma “ditadura” social patriarcal e machista do fim dos anos 40 nos Estados Unidos, não possuía ídolos ou qualquer tipo de referência. Seus ídolos, então, foram encontrados primeiramente nos pilotos de caças e bombardeiros. Frank Mazzola, integrante de uma gangue juvenil no bairro de Hollywood (Los Angeles) e que atuou no filme Rebel Without a Cause (Juventude Transviada), contou em um documentário sobre James Dean que: “Na época não tínhamos nenhum ídolo ou símbolo adolescente. Admirávamos os pilotos de caça da Segunda Guerra Mundial. Meu tio havia sido um deles. Então crescemos querendo ser pilotos também”.

Era uma época em que as gangues de rua começaram a aparecer nas cidades americanas. Como não podiam e nem tinham oportunidade de se tornar pilotos, eles passaram a adotar o visual deles, e a jaqueta de couro se disseminou. A polícia passou a ficar de olho nesses garotos e os pais passaram a reprovar a vestimenta. Com o advento do rock and roll, já no meio dos anos 50, a jaqueta que já era um símbolo de rebeldia, passou a ser um símbolo dos roqueiros rebeldes.

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Os filmes “Wild One” (O Selvagem – 1953), “Rebel Wihtout a Cause” (Juventude Transviada – 1955) e “Blackboard Jungle” (Sementes de Violência – 1955), os primeiros a darem voz às angústia juvenis e a representar gangues de motociclistas e de greasers (delinquentes) na história, popularizaram o uso da jaqueta de couro. Mas não bastava usar a jaqueta, era necessário ter a atitude de bad boy encarnada na figura de Marlon Brando e James Dean, e a roupa passou a ser um símbolo verdadeiro de rebeldia e perigo.

O texto é do Eduardo Molinar (Universo Retrô). Simplesmente amamos!

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