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Meu filho faz trocas na fala. É normal?

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Oi, gente!

Convidei a minha prima Sofia (fonoaudióloga, professora, palestrante, mãe da Leila e muito mais…) para ser colunista aqui do blog, escrevendo sempre suas dicas fonoaudiológicas pra gente, e ela topou!  \o/ \o/ Então, aproveitem que, quando ela tiver um tempinho, vai estar aqui tirando dúvidas e escrevendo sobre temas diversos. Coisa boa! Vamos ler sobre o assunto de hoje?!

Meu filho faz trocas na fala. É normal?

Por Sofia Bedê, Fonoaudióloga, Especialista em Voz. Coordena e ministra Oficinas nas áreas de Linguagem Infantil e Voz Profissional para Educadores, Pais e Estudantes da área.

trocas na fala

Seu filho fala elado errado?


Não é de agora que venho sendo procurada por pais com a queixa recorrente de que seu filho não sabe falar certo ou troca as letras na fala. Seguidamente, questionam-me o porquê da diferença de fala dos outros coleguinhas.

Bem, primeiramente devo dizer que não costumo responder prontamente antes de também fazer minhas próprias indagações a estes pais. Se soubessem que existem tantos fatores quanto as características individuais de cada criança…

É como a frase “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha sua vã filosofia”, de Shakespeare. Há todo um aprendizado pregresso, um esquema muito “bem bolado” pela criança que está longe de ser caótico ou desordenado. Nós falamos porque ouvimos. Tentamos copiar a fala dos adultos que fazem parte do nosso cotidiano (por isso tão importante falar corretamente perto de crianças). De uma forma geral, todas as crianças passam pelos mesmos processos de simplificação da sua fala para que esta se torne o mais parecido com o discurso dos adultos, por isso que acontecem as trocas na fala. No detalhe, Processo fonológico é uma operação mental que se aplica à fala para substituir, no lugar de uma classe de sons ou de uma seqüência de sons que apresentam uma dificuldade específica comum para a capacidade de fala do indivíduo, uma classe alternativa idêntica, porém desprovida da propriedade difícil (STAMPE, David. 1973). É simplificar a fala para poder se comunicar melhor.

O processo mais comum e com 100% de incidência na fala infantil é a Redução de Encontro Consonantal, ou seja, a criança irá falar patu ao invés de prato, pois na sua lógica a estrutura de uma palavra com duas consoates juntas não é o natural. Pra ela, o natural é a construção CV (consoante+vogal) e, se acontecer de aparecer duas consoantes juntas, a tendência é o apagamento de uma delas. Conforme previsto, tudo dentro de uma coerência linguística. Devo ainda expor que subjaz um conhecimento compreensivo adquirido desde os primeiros contatos com outras pessoas falantes. Ouvir primeiro para depois falar – algo que sabemos desde cedo e aparentemente esquecemos ao longo da vida.

Existem 16 processos fonológicos na língua Portuguesa que caracterizam a fala normal de uma criança em desenvolvimento da linguagem oral. Não se deve esquecer que estes processos podem aparecer na mesma palavra, deixando muitas vezes a fala ininteligível. Mas a maioria só quer saber dos desvios, certo? Bem, os desvios do padrão normal da fala acontecem quando estes processos fonológicos não coincidem com a idade cronológica da criança. Por exemplo, um desvio comum é a nasalização de líquida, ou seja, trocar o fonema “l” por algum nasal “m”. Meu sobrinho chamava a prima Laís de Naís! Um desvio que corrigi em algumas semanas. Era fofo ele dizer, mas tive que encerrar o assunto. E o famoso “Cebolinha”? Neste caso, não se considera a troca que o Cebolinha da Turma da Mônica faz como um desvio. Ao contrário, supondo que ele ainda não vai à escola, deve ter uns 3 ou 4 anos de idade. Considera-se a troca que ele faz como dentro do esperado para a idade. Resumindo, os processos fonológicos normais podem acontecer até aproximadamente 4 anos e meio.

E como os pais devem proceder? Procurar a escola, a Fono, a Psicóloga, um Pai-de-Santo?

Calma, gente! Normalmente essa fase passa. O erro faz parte do aprendizado. Seguem algumas Orientações Fonoaudiológicas que todos podem fazer:

 A primeira coisa é observar se seu filho escuta bem, para descartarmos qualquer problema auditivo (assusta-se quando a porta bate com força?).
 Tem boa respiração? Saber se tem rinites alégicas com frequência, se baba durante a noite e se ronca (crianças alérgicas tendem a fazer mais trocas na fala).
 Não corrija seu filho, apenas dê o padrão correto da palavra. Ninguém gosta de aprender sob tanta pressão, não é mesmo?
 Observar o desenvolvimento dentário da criança, indo regularmente ao Odontopediatra. Dentes que estão nascendo normalmente incomodam a cavidade oral e favorecem o escape da língua durante algumas pronúncias, assim como crises de amigdalites e problemas de adenóides.
 Escute seu filho. Deixe ele livre para se expressar, seja verbalizando ou não. Há crianças que naturalmente demoram a falar.
 Muito importante é modificar a alimentação da criança se esta for muito pastosa para a idade. Diga adeus aos pãezinhos de leite, salsichinhas e macarrões estantâneos. Insistam nos pães carioquinhas, maçã para ele morder sozinho, carninha com pedaços maiores (tchau carne moída) e um milho cozido para ele se deliciar! Tomar líquido no copo, por favor!
♥ Procurar um Fonoaudiólogo precocemente não significa atestado de ansiedade, mas o cuidado com o desenvolvimento de seu filho. Há sempre o que fazer e estimular, mesmo que ele esteja na normalidade.

Se tiverem mais dúvidas, podem enviar um e-mail que terei prazer em responder. Para quem quiser se aprofundar, em breve farei a Oficina “Trocas na fala. E agora?”, já na Turma II. Atualmente, estou com a Oficina com tema sobre Alfabetização e Leitura.

oficina de leitura

 

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