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Coluna Mamãe é Psicóloga: Manhê, como eu nasci?

Todo mundo se acha bem resolvido sexualmente, até que escuta a primeira pergunta do filho sobre “de onde vêm os bebês?” e o mundo desmorona, e toda a segurança vai junto. Pensando racionalmente não deveria ser tão complicado, já que o sexo faz parte da nossa vida; e de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) é um dos pilares para a Qualidade de Vida, mas se fosse assim, tão simples, ninguém ficaria ruborizado ao ouvir uma conversa sobre o tema, ou ser indagado a respeito por uma criança, certo?

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Para falar sobre sexo, precisamos estar à vontade em pensar sobre sexo. E, ainda, nos culpamos e nos ofendemos quando algo é associado ao tema. Apesar de todo mundo desejar uma vida sexual ativa e saudável, o sexo é tão tabu que o que se relaciona a ele muitas vezes está associado ao ridículo, ao cômico, e/ou ao absurdo… Menosprezando e ridicularizando o sexo, se diminui a culpa de pensar e desejar por ele, mas sexo é assunto sério, pois quanto mais encoberto, desvalorizado e ridicularizado for o assunto, mais ele é utilizado como forma de poder e abuso, e também pode ser causa de muito tropeço na vida de adolescentes por aí. Falar sobre isso com as crianças e adolescentes, além de os proteger de possíveis problemas, o saber e o diálogo fortalecem a segurança, e dessa forma, rebate na autoestima. Quantos de nós, já adultos, não temos medo e vergonha do sexo, por conta da nossa insegurança e autoestima fragilizada pela “culpabilização” do corpo e do desejo?

O assunto nem sempre começa com questões sobre o ato, às vezes, as crianças já iniciam suas questões relacionadas à sexualidade e não ao sexo, de acordo com Freud “a sexualidade pode ser entendida como uma carga energética que se distribui pelo corpo de maneiras distintas”, ou seja é o prazer no corpo e pelo corpo, e isso não se resume ao sexo, o sexo é uma das vias de obtenção desse prazer. Sexualidade envolve conhecimento do próprio corpo, aceitação do próprio corpo, envolve afetividade, envolve carinho, envolve interesse pelo outro, a sexualidade é construída culturalmente. E essa construção é iniciada na infância, pois a sexualidade é um aspecto constitutivo da nossa personalidade. Desta forma, por mais que a criança não seja exposta a conteúdos sexuais pela televisão ou outros meios, a curiosidade vai surgir, pois é inerente do ser humano.

A conversa sobre sexo inicia com as questões relacionadas ao próprio corpo, e ao corpo do outro, marcada pela dúvida da diferença sexual, que depois vai vir com aquela célebre questão “de onde vêm os bebês?”. É muito importante que os pais compreendam que é natural, e que todos passam por isso, inclusive nós, pais, passamos por isso em algum momento da nossa infância!  Lidar com isso de maneira natural e honesta é a melhor forma de ajudar a criança a quebrar seus mitos, e responder suas dúvidas sobre seu próprio corpo, e sobre o corpo do sexo oposto. A maneira como a criança vai ser orientada e acolhida em relação à sua sexualidade vai repercutir durante toda sua vida.

Aproveitar as perguntas da criança para entrar no assunto é a melhor maneira para abordar o tema, a questão vai surgir, mas se em algum momento a criança foi punida ou rechaçada pela curiosidade, provavelmente ela terá medo ou vergonha de buscar ajuda dos pais para compreender o assunto…

Seguem algumas dicas de como abordar o assunto:

1. O ideal é que os pais expliquem sobre a diferença entre o público e o privado, para que ela compreenda que existe um limite e que esse limite deve ser respeitado;

2. Responder apenas o que foi perguntado, com clareza e honestidade, e a cada dúvida que a criança tiver, ela irá recorrer aos pais para pedir explicações. As dúvidas surgirão junto com o desenvolvimento da criança, cada fase surgirá novas questões;

3. Explicar sobre o corpo, o funcionamento, nomear as partes do corpo da criança, e falar sobre a diferença do corpo da menina e do corpo do menino; pois durante um momento da vida as crianças acham que todos são iguais…

4. Aproveitar esse momento para falar sobre violência sexual e assédio é muito importante! Os pais devem enfatizar que ninguém pode obrigar a criança a fazer aquilo que ela não deseja, e explicar onde os outros não podem tocar no seu corpo sem permissão, deixando claro que se isso acontecer a criança pode procurar os pais para contar. Por isso falar sobre sexualidade é IMPORTANTE, pois passa segurança para a criança de que ela pode contar com seus pais caso isso aconteça. Quando a criança é punida por conta da sua curiosidade natural sobre sexualidade e sexo, ela pode acreditar ser culpada, caso sofra algum tipo de assédio, muitas vezes é a culpa que muitas mulheres sentem quando sofrem assédio ou abuso.

5. Nunca mentir. Utilizar de metáforas, mas que não sejam fantasias como o bebê nasce do pé de alface, ou chega pela cegonha, ou coisa parecida; é muito mais honesto explicar que o papai coloca uma semente no útero da mamãe e a semente cresce e vira um bebê, pois você não está mentindo, e falará numa linguagem que a criança compreende. Deixar claro que isso é algo que acontece entre adultos.

6. Buscar as respostas juntos, ou ler algum livro que traga a temática juntos também é interessante e fortalece o vínculo familiar.

Lembrando sempre que as orientações dos textos são gerais e não substituem a orientação com profissional especializado pessoalmente, no caso de dúvidas específicas ou situações específicas sobre os temas abordados, buscar ajuda de um profissional de confiança é primordial, para uma orientação mais próxima da realidade e que seja de acordo com a necessidade.

Texto de Raisa Arruda, colunista do blog iMãe.
Psicóloga Clínica/Assessoria em Psicologia Escolar
CRP 11/07646
(85) 99221192

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