Blog do Jocélio Leal

Coluna – Camilo com pouca margem para uma marca

1532 2

Camilo Santana: segundo mandato com margem ainda menor dentro do grupo (Foto: Mauri Melo – O POVO)

Fortaleza – O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), fica maior quando consegue impor a sua marca, indo além do papel reservado a ele pelo grupo político do qual faz parte.

A mexida no time no meio da primeira gestão, a confirmação do Hub da Air France-KLM, a sociedade com a Port of Rotterdam no Pecém (sem entrar no mérito do negócio), a reforma da Previdência estadual e o novo modelo de gestão de ativos do Estado foram decerto brilhos do primeiro mandato.

Contudo, o desenho já concluído da segunda gestão lhe impõe margem muito menor. Os Ferreira Gomes (reinaugurando esta coisa de Família & Política no Poder estadual) ocuparam os espaços dentro e fora do Governo de maneira avassaladora.

Fora, em suma, têm a Assembleia Legislativa, com Sarto Nogueira (PDT), a Prefeitura de Fortaleza, com Roberto Cláudio (PDT), e a Presidência da Câmara, com Antônio Henrique (PDT).

Olhando o organograma, vê-se. Os secretários que lá estão e os postos que ocupam têm, em larga medida, o DNA dos Ferreira Gomes, não do Santana. A rigor, um secretário, diretor de empresa, um soldado ou um empregado qualquer, seja qual for a organização, presta continência ao comandante. Mas só a rigor. Na prática, carrega fidelidade àquele que o indicou.

O Turismo, das boas novas ensolaradas, segue com Arialdo Pinho. A Secretaria da Infraestrutura (e suas grandes obras) tem Lúcio Ferreira Gomes. Cidades (com seus prefeitos à porta) é de Zezinho Albuquerque. A Educação já é território ocupado desde sempre.

Na escalação, o governador ficou com os grandes abacaxis. Segurança e presídios, sobretudo. Na Saúde, Cabeto, com a companhia de João Marcos Maia, ex-Sefaz. Ele chega com o coração aberto e a cabeça cheia de problema a resolver.

Cabeto terá de testar a resiliência para suportar. A Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), desenhada para ser super, será. Mas com Mauro Filho, não com Maia Júnior.

Após a vitória em 1º Turno, a Coluna dizia ser o segundo mandato a oportunidade de Camilo ir além do tenentismo, aqui entendido não como atitude corajosa, de ruptura, de arroubo jovem, mas de patente menor. Todavia, não houve promoção.

Só dizer sim

Ricardo Parente, gerente geral de Relações Institucionais e Comunicação da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e vice-presidente da Associação das Empresas do Complexo do Pecém, só não será secretário-executivo de Indústria, da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), se não quiser. É o quinto e último posto a ser preenchido na equipe.

A sede do Novo

O Partido Novo no Ceará faz a opção pelo story telling real. Poderia escolher uma sede na Parangaba, na Messejana ou no Centro, para tirar um pouco aquela pegada jovem aldeotino defensor da chamada nova política. Mas decidiram instalar na Aldeota mesmo, ali perto da Dom Luís. Noutros termos, se assumem como são, sem populismo no CEP.

Espera um pouco

A crise da segurança deixou muita coisa pendente no Governo do Ceará. Cargos com nomes a serem escolhidos são vários. Em praticamente todas as pastas, apenas os secretários já estão certos. Na Secretaria da Cultura, por exemplo, só marcam reunião lá pela segunda quinzena do mês.

JOGO RÁPIDO

Houve desonestidade em boa parte das críticas à fala do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, ao Valor Econômico, no começo da semana. Ele disse: “As universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica (do País)”. No tribunal das redes sociais, foi fuzilado. Mas, como ele mesmo afirmou, Universidade, do ponto de vista da capacidade, não é para todos. Somente algumas pessoas que têm desejos de estudos superiores e se habilitam para isso. É assim mesmo.

 

Recomendado para você