Leituras da Bel

Jogo do contente

 

Hayley Mils no papel de Pollyanna

Hayley Mils no papel de Pollyanna

Personagem famosa pelo otimismo, Pollyanna atravessou gerações ensinando o “jogo do contente”. Livros de Eleanor H. Porter se mantém nas prateleiras em novas edições. SBT vai produzir, em 2017, novela infantil baseada na obra

O livro Pollyanna, de Eleanor H. Porter, foi um sucesso estrondoso logo na época de publicação. O ano era 1913 e a dinâmica do cotidiano era totalmente diferente da atualidade. A demanda do público foi tanta que, dois anos depois, a romancista estadunidense precisou escrever uma continuação para o texto. Assim nasceram Pollyanna e Pollyanna Moça, obras que ressoam e influenciam gerações até hoje.



A menina órfã atravessou um século nas prateleiras. De bolso, luxuosas ou bilíngues, as edições nunca saíram do mercado. Este ano, a Autêntica Editora lançou novos exemplares dos livros. Em formato caprichado, eles se diferenciam pela tradução que ganhou vieses e expressões mais próximas do português – explica Sonia Junqueira, editora de títulos infantis e juvenis. “Com a publicação dos livros, pessoas idosas que estão ao meu entorno se emocionam. São obras que atravessaram gerações e gerações. Nunca deixaram de ser lidas”, pontua.

Em 2017, o SBT vai produzir uma novela com base nos textos: As Aventuras de Pollyanna e João Feijão. O programa será escrito por Íris Abravanel e vem após cinco remakes do canal.

No enredo dos livros, a menina Pollyanna é enviada para morar com uma tia rica após a morte do pai. Mesmo com todas as agruras e intempéries, ela mantinha o otimismo em relação ao mundo, as circunstâncias e as pessoas. Já no segundo volume, temos uma personagem mais madura – que enfrenta a adolescência e a vida adulta com bom humor. Para superar os possíveis problemas, Pollyanna pratica o “jogo do contente” – mecanismo para sempre enxergar o lado positivo das situações: de um par de muletas a um quarto com janela.

pollyanna filme
“Todos nós estamos em geral insatisfeitos com o tempo que vivemos. Ou ainda: a maldição nos leva a crer que, isolados em nosso século, estamos presos no fluxo do tempo, à espera de algum epílogo que, grosso modo, nada mais é que a passagem inevitável da própria vida. Porém, nem tudo é tão desesperador. Talvez, para acalmar a fera-tempo, inventamos a Literatura, um discurso que sistematiza mediante a linguagem artística o caos interior – e exterior – que existe. Desamparo, falta de esperança, desamor, fracassos, perdas etc… todas as emoções e apatias desfilam no discurso literário, de sossego, ou desassossego, a depender da clientela”, explica Sarah Forte Diogo, docente da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e doutora em Estudos Literários.

Pollyanna, entretanto, não se apresenta mais da mesma forma, pois os leitores não são mais os mesmos. Os anseios e o próprio conceito de “estar contente” foram modificados na medida em que o tempo passou. Para a escritora e pesquisadora Fernanda Lima, não é à toa que Pollyanna e o “jogo do contente” têm atravessado gerações.

“O ser humano, em toda a sua complexidade e vulnerabilidade, é a soma de fatores que o constitui. Cada pessoa é singular, tem oportunidades diferentes e uma maneira única de se perceber e de lidar com os próprios sentimentos e experiências, sobretudo, com as vivências difíceis e dolorosas. E as estórias de Pollyanna também tratam desses aspectos”, explica Fernanda.

“Não podemos afirmar que o ‘jogo do contente’ foi o suficiente para o leitor do século XX, e não podemos afirmar de forma taxativa que será suficiente – ou insuficiente – para o leitor do século XXI. O que podemos rastrear, e isso é bem interessante, é que se Pollyana permanece viva no imaginário é que seu jogo do contente ainda responde a demandas afetivas da nossa geração, o que faz desse romance, pelo bem ou pelo mal, um clássico que continua a ressoar entre os leitores e suas subjetividades”, complementa Sarah Forte.

Saiba mais
No primeiro livro, após a morte do pai, Pollyanna é enviada para viver com Miss Polly. Na nova cidade, ela conhece Jimmy, Nancy, John Pendlenton e os outros personagens que são introduzidos no “jogo do contente”. O segundo volume mostra Pollyanna atravessando a adolescência e parte da vida adulta. No decorrer na história ela, viaja para Boston e para a Alemanha.

https://www.youtube.com/watch?v=6XUtsZq-60k

Na década de 1920 foi lançado o primeiro filme baseado no livro, com Mary Pickford e dirigido por Paul Powell, um clássico do cinema mudo. Quatro décadas depois, foi feito um novo filme baseado na obra, dirigido por David Swift e com Hayley Mills no papel principal.

Eleanor H. Porter é norte-americana e ficou famosa por Pollyanna e Pollyanna Moça. No currículo, ela também tem títulos de literatura infanto-juvenil e romances adultos. A autora morreu aos 51 anos, na Inglaterra, cinco anos após o lançamento do segundo livro

Serviço
PollyannaPollyanna
Eleanor H. Porter
180 páginas
Tradução: Márcia Soares Guimarães
Quanto: R$ 29,90
Pollyanna_moçaPollyanna Moça
Eleanor H. Porter
224 páginas
Tradução: Márcia Soares Guimarães
Quanto: R$ 29,90

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