Leituras da Bel

Valter Hugo Mãe, Bienal, Literatura e afetos

Escritor em entrevista ao repórter Jader Santana (Foto: Camila Holanda)

Eu deixei o Centro de Eventos do Ceará com uma sensação de êxtase muito intensa. A Bienal se mostrou bonita e diversa como prometido. Amigos e conhecidos acenando nos corredores, música ao longe, livros por todos os lados. E um sentimento de que o evento é um lugar de encontros. Mas um personagem roubou a cena no meu primeiro dia de Bienal: Valter Hugo Mãe.

O autor angolano circulou pelos corredores do térreo com ar despreocupado. Era mais um leitor celebrando a existência do livros e da literatura. Vi Valter pela primeira vez na Casa Vida&Arte. Portando ecobag e com sandálias de dedo, deu entrevista tranquilamente. Na saída do estúdio, ele parou para autografar livros e conversar com as pessoas. Calmo. Sereno. Afetuoso.

Depois disso começou uma pequena euforia. De cada dez fotos na minha timeline, nove eram de pessoas que encontraram Valter Hugo Mãe nos corredores do térreo. Eu vou usar um verbo adorado por alguns amigos: flanar. O escritor estava, sim, ali, flanando pela Bienal. Uma das atrações internacionais e presença das mais aguardas, Valter optou pela simplicidade, pelo afeto e pelo contato direto com os leitores.

Valter Hugo Mãe e a mediadora Cleudene Aragão durante o diálogo. (Foto: divulgação/Secult)

Poderia até existir um Tumblr: “toda hora VHM num lugar diferente da Bienal”. Ele deu entrevistas, autografou, viu mestres da cultura, conversou e encantou um grupo de leitores em especial, que há tempos esperava a chance de tomar um café com o autor. Sim, VHM garantiu pessoalmente que os participantes do Clube de Leitura da Sublime assistissem ao Diálogo. Eles haviam feito campanha para conhecer o autor.

Às 20 horas, o angolano falou para um auditório lotado. Subiu ao palco com o mesmo traje e a mesma serenidade de antes.

Um prêmio para quem adivinhar…

Eu já havia perdido a esperança de topar com VHM novamente. Parei para tomar um café com uma amiga. Estava comentando o quanto é bom ter lugar para sentar no evento (na edição de 2014 faltou até isso e minha mãe, que tem artrose, sofreu um bocado). Quando olho para o estande do Instituto do Ceará e lá está ele: calmo folheando algum livro. Autografou o meu “A Máquina de Fazer Espanhóis” récem-comprado com uma letra ilegível. Nunca saberei o que está escrito ali. Mas pouco importa.

Serviço: neste domingo haverá outra participação de VHM na Bienal. Às 16 horas, ele participa do diálogo “Romances de pai, escritas da mãe”. Marcelino Freire também é convidado e a mediação é de Socorro Acioli. A programação acontece na Sala Moreira Campos (sala 1, mezanino 2). Entrada gratuita. A Bienal segue até 23 de abril.

 

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