Leituras da Bel

Os vários corpos de Sara Síntique

Sara Síntique (Foto: Ricardo Arruda)

O extermínio do corpo move a produção de Sara Síntique. Não o extermínio de arrancar cabeças e pernas, cortando fora os membros cheios de sangue. Sara fala sobre dilacerar as partes que não nos cabem mais, colocando para fora os pedaços que não nos deixam viver. De palavras acertadas e de textos miúdos, ela mostra que uma poesia pode destruir. Escritora, atriz e performer, ela lançou o livro Corpo Nulo, em 2015, uma compilação de 34 escritos.

Sara não faz passeio pelo corpo. Ela arranca pedaços. E o seu primeiro livro mostra que dilacerar é bom, é necessário, é preciso. Precisamos expurgar aquilo que nos faz mal.

Sara começou carreira no teatro em 2004, galgou espaços entre companhias e montagens. Até que, anos depois, seu trabalho chegou ao cinema. Trabalhou com a cineasta veterana Helena Ignez e com os realizadores cearenses Leonardo Mouramateus e Andréia Pires.

Corpo Nulo tem uma raiz fincada nas imagens moldadas por Sara, que transforma palavras em ícones e ícones em palavras. Dançando com as perspectivas do leitor. É pelas letras que a escritora ganha quem está no outro lado do livro. Mostrando, inclusive, como há desejo em um braço, persuasão em um pescoço, vontade em um tufo de cabelos.

No estômago, Sara Síntique carrega “três ou quatro violetas indigestas”.  Mas há mais do que isso em Corpo Nulo. Não são apenas sensações, são amostras da experiência de Sara com o mundo. Quantos escritores conseguem se transmitir para os leitores? Quantos conseguem desnudar o texto? Quantos conseguem tornar  Para os leitores, ela oferece o resultado de anos de vivência com as letras, com a cidade e com o próprio corpo.

Serviço
Corpo Nulo
Sara Síntique
Editora Substânsia
Quanto: R$ 18
Para comprar: http://lojasubstansia.iluria.com/

 

 

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