Leituras da Bel

Coluna À procura da poesia: “Pra que poesia em tempos de penúria?”

Angélica Freitas (foto: Bianca de Sá/divulgação)

Por Talles Azigon (da página Poesia Brasileira)

Nesta quarta-feira, dia 27 de setembro, inicia a segunda edição da Festa Literária do sistema educacional 7 de setembro, em Fortaleza. No meio de uma vasta programação, oficinas, conferências, apresentações e debates, acontecerá uma roda de conversa com as poetas Nina Rizzi, Angélica Freitas e Talles Azigon.

Nina Rizzi é uma poeta del mundo, tradutora da obra de Alejandra Pizarnik , dama de espadas, cavalheira de ouro, pajem de paus, organiza diversas atividades, atentados poéticos, pela cidade de Fortaleza. Publicou três livros, Tambores pra N’Zinga (2012) , A duração do deserto (2014), e quando vieres ver um banzo cor de fogo (2017).

– é préciso cuidar bem do coração
te mando um salve enquanto
os manos incendeiam uma viatura aqui na rua
– é preciso politizar a ferida
com a mão inteira acariñar a chispa
que arde fundo cá dentro. dá-me tua mão
– é preciso cuidar bem do coração

Nina Rizzi

Nina mantém um blog chamado quandos, além dos seus escritos, ela compartilha traduções e outras emancipações poéticas.

Angélica Freitas – Poema incendiária, não se engane com sua voz doce, segura e bem impostada. Angélica, lá de Pelotas, bateu Rilke no liquidificador com duas bolas de sorvete de creme. Desde então usa seus poemas de modo investigativo, revelando as entranhas do comportamento da mulher e do homem. O poema é um caso sério.

porque uma mulher boa
é uma mulher limpa
e se ela é uma mulher limpa
ela é uma mulher boa

há milhões, milhões de anos
pôs-se sobre duas patas
a mulher era braba e suja
braba e suja e ladrava

porque uma mulher braba
não é uma mulher boa
e uma mulher boa
é uma mulher limpa

Para citar apenas um trecho de um dos maravilhosos poemas do livro um útero é do tamanho de um punho que muito provavelmente – essa não é uma informação oficial mas há sem uma esperança – você terá o prazer de comprar durante a Fli7.

Mais poesia

Angélica Freitas, vende livros de poemas como os meninos no centro da cidade vendem água. Logo seus livros são esgotados, por esse motivo lhes dou um conselho de amigo: se você ver um livro dela compre, se for possível.

Talles Azigon (Foto: Camila de Almeida/O POVO)

Por terceiramente, nem por isso mais importante, eu mesmo, Talles Azigon, esse menino da Maraponga e do Curió, que teve a ousadia de publicar dois livros de poemas (Três golpes d’água e MARoriGINAL), de inventar uma editora com mais dois outros poetas, de ficar inventado de falar e divulgar poesia pelas esquinas, favelas, quebradas e sala de espera de consultórios médicos

como um passe de mágica
a cidade faz dormir
todos os semáforos.
o caos instalado
obriga-nos a ler o óbvio:
os homens não se entendem,
por isso os sinais.

o mundo relembra
que é mundo
(de pedra, ferro, cimento e gente)

Essas pessoas, juntas, reunidas, tentando buscar um bom motivo para continuar falando, lendo, e escrevendo poemas em tempos, como todos os outros tempos, de guerras e bombas.  Para contribuições a esse pensamento, é só chegar conferir a programação da Fli7.

Serviço
Fli7 – Roda de conversa: “Pra que poesia em tempos de penúria?” com Angélica Freitas, Nina Rizzi e Talles Azigon
Quando: 30 de setembro, sábado, às 15:30min
Onde: avenida Alm. Maximiano da Fonseca, 1395. Eng. Luciano Cavalcante
Entrada gratuita

*Talles Azigon é poeta, editor e produtor cultura. Já publicou os livros Três Golpes D’Água e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curió e do banho na Sabiaguaba. À procura da poesia é uma coluna semanal com comentários e indicações de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.

 

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