Leituras da Bel

Leia resenha de A Cidade Dorme, livro do escritor Luiz Ruffato

Por Gabriel Amora*

Nos contos de A Cidade Dorme, o escritor Luiz Ruffato observa alguns dilemas latentes da classe média brasileira. Radicado em São Paulo, o autor mineiro fala do país para o país em um momento que precisamos, sim, reavaliar nossa posição como humanos e cidadãos. Os seus temas envolvem relações familiares e sociais de uma nação que precisa entender os seus movimentos.

Para isso, Ruffato traz análises que contemplam as ações de trabalhadores urbanos e do interior, que se encontram um movimento constante de idas e vindas. Em A Cidade Dorme, o autor aponta que as atividades dos brasileiros, que consistem em viver para o trabalho, frustra os próprios sonhos, visto que a rotina e desespero por estabilidade dificulta a felicidade desejada.

Luiz Ruffato

Ruffato é um dos escritores brasileiros mais renomados da atualidade. Natural de Cataguases, em Minas Gerais, é graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Já publicou vários livros e recebeu alguns prêmios, incluindo o APCA e o Machado de Assis. Entre seus títulos mais conhecidos, todos publicados pela Companhia das Letras, estão Inferno Provisório (2016), De Mim Já nem se lembra (2016), Flores Artificiais (2014), Eles Eram Muitos Cavalos (2013), Estive em Lisboa e Lembrei de Você (2009) e Quando fui outro (2006).

Obviamente, o livro A Cidade Dorme trata os temas com pessimismo. Os personagens de seus contos são trabalhadores, depressivos, pessoas presas em grandes metrópoles. Além disso, o autor encontra em suas poucas 120 páginas um espaço para discutir o sistema político brasileiro que, segundo os seus protagonistas, segue empobrecendo o resto da nação.

Novo livro de Luiz Ruffato

O livro ainda continua uma viagem em temas como ditadura militar, vida contemporânea em São Paulo, deslocamentos para o trabalho, família, memórias e o futebol na vida dos brasileiros. Temas recorrentes na cultura da classe média. E o melhor de tudo: seus textos não são moralistas. Na verdade, eles são críticos. É uma visão política e engajada que precisa ser escutada. É uma obra curta, provocadora e necessária. Dói ler os contos e perceber como precisamos nos analisar de dentro pra fora. Só assim para perceber como muita coisa ainda precisa ser debatida.

 

*Gabriel Amora é estudante de jornalismo e estagiário do caderno Vida&Arte. É crítico de cinema do O POVO, assinando a coluna Cinema & Séries. Assina também o Site Quarto Ato, um dos mais importantes portais de cultura pop do Ceará, e é membro da Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine)

 

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