Leituras da Bel

Leia “Entre o sonho e a loucura”, texto da escritora Branca Sobreira

*Por Branca Sobreira

Ultimamente quando fecho os olhos não tenho encontrado paz. Toda a angústia vem em forma de incertezas, de imagens mal formadas enquanto durmo. Às vezes rostos conhecidos vem falar comigo, me atormentar, colocar uma semente de dúvida atrás da minha orelha. Transito por cenários que parecem familiares, depois entro em um mundo que não conheço. Des-co-nhe-ci-do. O desconhecido assusta, desespera. Faz o coração acelerar. Te tira do conforto e das supostas certezas. Entro nesse mundo fantástico onde tudo pode acontecer. Onde posso perder o meu amor, posso voar, onde posso morrer e renascer.

Ilustração de Cris Frota

E quantas vezes a gente renasce? Acha que vai morrer e consegue acordar mais um dia, consegue seguir, adiante, sempre. Consegue levantar, tomar banho, escovar os dentes, se vestir, entrar no transporte público e seguir uma jornada de trabalho de oito ou até doze horas. Fazendo algo que você ama ou que você detesta. Algo temporário que pode se tornar eterno, se não tiver cuidado. A rotina massacrante pode dar o suficiente para pagar as contas, ou nem isso. Então depois de um dia cansativo você quer relaxar, deita na cama, reza antes de fechar os olhos e não encontra paz. Encontra, na verdade, esse desconhecido que assusta. Que causa um frio na espinha, onde você perde o controle de tudo e cai no submundo do inconsciente. Se perde em Capri, na Lua ou no inferno.

E, depois, a escuridão se torna luz. Pois sempre vem outro dia, um dia após o outro. Cai a noite, entra o dia. E mesmo quando abro os olhos, o coração aperta, pois mesmo acordada nada é certo. E a realidade é mais dura do que a loucura.

 

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*Branca Sobreira é jornalista, foi repórter e produtora de televisão, e lançou seu primeiro livro de contos ano passado, “20”está atualmente disponível na Amazon e na Livraria Cultura. Hoje morando fora do país está escrevendo seu primeiro romance.

 

**Cris Frota iniciou seu movimento artístico através das ilustrações e com o amadurecimento do seu estilo transmutou também para as telas, suas influências abstracionistas levaram-na ao uso da técnica definida como color field painting, em meios a tons indecisos às vezes monocromáticos e não representativos. Repleta de muitas referências, não se define em um gênero.

Site: crisfrota.com
Instagram: @crisfrotaa

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