Leituras da Bel

Annita Moura, Rômulo Silva, Amara Moira e Nina Rizzi participam de encontro de mediadores na Bienal do Livro

Os mediadores de leitura terão um espaço especial ao longo dos dias de Bienal Internacional do Livro do Ceará. Dos dias 22 a 25 de agosto, dentro da programação do evento, acontecerá o Encontro de Mediadores. Annita Moura, Tino Freitas, Rômulo Silva, Bel Santos Meyer, Bruninho Souza, Amara Moira e Nina Rizzi são algumas das presenças confirmadas.

Amara Moira é uma das convidadas

“A família deveria ser esse primeiro mediador. Seria o caminho natural. Mas, muitas vezes, por motivos diversos, a criança vai encontrar esse mediador na escola, na figura do professor ou do bibliotecário. Outras vezes, quando nem a família, nem a escola conseguem aproximar crianças e livros, o papel fica para os mediadores de espaços comunitários em que o livro tem habitado com afeto, teimosia e resistência. Quando o caminho ‘natural’ não acontece, precisamos todos nos movimentar para que a Literatura alcance e encante o olhar desse pequeno leitor para que ele se aproxime e tenha acesso aos livros e tudo o que vem junto quando a gente se envolve com a literatura”, explica o escritor e jornalista Tino Freitas, que é coordenador do encontro, em entrevista ao O POVO.

A formação do leitor passa, explica Tino, por algum link afetivo. “Tem a ver com desejar ser como o outro que se vê lendo. Se apropriar daquelas habilidades. Sejam elas a voz que carrega as palavras dos livros pelo ar, capturando a atenção como se pega um coelho pelas orelhas; o abraço do pai que aquece e protege do medo quando da leitura de uma história que envolve o escuro, o medo; o desejo de conversar sobre o mundo com habilidade e conteúdo, que se percebe no mediador entre as leituras… enfim, a formação do leitor, muitas vezes, passa pelo desejo de se aproximar daquele de nos revela, na leitura, uma relação afetiva. Seja com a história, seja com o leitor. De preferência, com os dois. Precisamos de mais adultos apaixonados pela leitura”, argumenta.

Essa é a segunda edição do Encontro de Mediadores. Para esse ano, foi escolhido o tema “A palavra em forma, informa, reforma. A cidade transforma”. A Bienal do Ceará acontece de 16 a 25 de agosto, no Centro de Eventos do Ceará. A entrada é gratuita. A curadoria geral do evento é assinada pela escritora Ana Miranda, pela pesquisadora Inês Cardoso e pelo professor Carlos Vazconcelos.

Confira a programação

II Encontro de Mediadores: A palavra em forma, informa, reforma. A cidade transforma. Diálogos sobre mediação de leitura

Local: Sala 03 – Mezanino 2
Horário: 15h
Público Alvo: mediadores de leitura (bibliotecas comunitárias, bibliotecas públicas, centros culturais), bibliotecários, professores

Data: 22 de agosto
Mesa 1 – Tema: “Caminhos da Leitura: Desvio à Esquerda e depois Enfrente”
Convidados: Bel Santos (SP) e Bruninho Souza (SP)
Mediação: Alília Gradela (Jangada Literária)

Segundo Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”. Durante este novo século, há um movimento que já foi mais silencioso, mas hoje conseguimos ouvir seus rumores nas veias urbanas, apesar de alguns obstáculos aqui e ali. Parte desse movimento deve-se às bibliotecas comunitárias, que têm nascido “no meio do caminho” dos leitores, ocupando com livros e diálogos, espaços na periferia, transformando a comunidade local, com o auxílio de mediadores de leitura.

Assim é com a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, localizada no cemitério, em Parelheiros (SP). A mesa propõe apresentar as histórias, os desafios, as conquistas de quem participa da construção da cidadania naquele lugar, transformando, na prática, um dos Dez Direitos do Leitor, descritos por Daniel Pennac: o direito de ler em qualquer lugar. É esse direito de igualdade que o poeta Sérgio Vaz evoca quando escreve: “Dizem que quando a gente morre / vai todo mundo para o mesmo lugar… / Devia ser quando nasce.”

Data: 23 de agosto
Mesa 2 – Tema: Poesia na contramão: As ruas na voz ou a voz nas ruas
Convidados: Rômulo Silva(CE) e Nina Rizzi (CE)
Mediação: Tino Freitas

Nina Rizzi, escritora. (Foto: Bruna Sombra)

Muitos movimentos populares apresentaram suas vozes nas manifestações que tomaram as ruas de muitas cidades brasileiras em 2013. De lá para cá mais vozes foram ouvidas. A Literatura também foi às ruas. E nas ruas segue viva em eventos como saraus, batalhas de slam (competição de poesias faladas), produções literárias artesanais, mas não só. A poesia tem ocupado espaços antes silenciosos, dando voz e força a tantos que até pouco tempo não conseguiam se fazer ouvidos. Seja pelas novas tecnologias, seja pelo caráter transgressor e marginal (por estar à margem) que a poesia também carrega, é visível um movimento cultural que se movimenta na contramão do “establishment (ordem ideológica, política e social de um país) ” discutindo questões sociais urgentes como gênero, raça, educação, saúde e segurança.

Essa mesa propõe um diálogo sobre como essas vozes poéticas transitam e transformam o cotidiano das ruas das cidades, seja na contramão ou não, seja encontrando essas mesmas vozes nas ruas (como leitores) ou encontrando as ruas nas vozes (como autores). Na apresentação do livro “Te Pego Lá Fora”, de Rodrigo Ciríaco (DSOP), o poeta Ferréz diz que “a nova geração foi chegando, e assim como tem a caneta como ferramenta, faz da palavra outra arma de luta para a melhoria não individual somente, mas também do coletivo”.

Data: 24 de agosto
Mesa 3 – Tema: Atenção no Percurso: Estamos em Obras
Convidados: Bel Santos (SP) e Amara Moira (SP)
Mediação: Argentina Castro

Argentina Castro

“Tenho 30 anos, mas sou negra há apenas 10”, afirma Bianca Santana em seu livro Quando me descobri negra (SESI-SP) . Pois, foi recentemente que a mídia divulgou com estardalhaço uma imagem colorida artificialmente, em que muitos perceberam pela primeira vez que o maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis, era negro. Sua imagem foi embranquecida durante anos, pelo branco do preto e branco. É fato que um dos ofícios do escritor é alcançar, por meio da sua arte, lugares desconhecidos, onde ninguém foi. Perceber o mundo de um jeito singular e apresentar isso aos leitores.

Nessa mesa, buscamos, através de uma autora e uma mediadora de leitura, debater a importância de encontrarmos em obras da literatura brasileira textos que representem (tanto pelo texto como pela origem de quem o escreveu) o tamanho da nossa diversidade e as ações possíveis para que essa literatura ganhe mais autores e leitores. Voltando à Bianca Santana, “…ainda em busca de identidade, afirmo com alegria que sou negra há 10 anos. E agradeço ao professor do Educafro que, pela primeira vez, fez o convite para a reflexão profunda sobre minhas origens”. Portanto, atenção, leitores: estamos em obras!!! Leiam! Descubram-se. Descubram-nos.

Data: 25 de agosto
Mesa 4 – Tema: Em Caso de Emergência, abra o livro. Cuidado! O mundo pode mudar!
Abertura cultural: Fabiano Piúba
Convidados: Bruninho Souza, Régis Oliveira e Douglas Girão
Mediação: Anita Moura/Livro Livre (CE)

Annita Moura

O que é esse objeto livro? Esse bicho cheio de letras que engole o tempo da gente. O que é? Que história é essa de que a literatura transforma o leitor em alguém mais cidadão, mais ciente de si e dos seus direitos? Será possível? Para encerrar esse conjunto de mesas sobre mediação de leituras, nossos convidados falarão das experiências transformadoras que o contato com a literatura promoveu em suas vidas. E como, para eles, a cidade, o mundo, mudou a partir desse contato com os livros.

Serviço
XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
Quando: de 16 a 25 de agosto
Onde: Centro de Eventos do Ceará (avenida Washington Soares, 999 – Edson Queiroz)
Entrada gratuita

 

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