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Jarrell Miller e a polêmica do novo caso de doping no Boxe

A utilização de substâncias para melhorar a performance é, infelizmente, mais comum do que deveria em todos os esportes. Contudo, a situação costuma ser mais séria quando envolve esportes de combate, conforme temos acompanhado diversos casos no MMA e também no Boxe.

Ano passado tivemos a revanche milionária entre Canelo Alvarez e Gennady Golovkin cancelada e por pouco não realizada posteriormente, falo melhor a respeito disto neste post:

Canelo Alvarez e a polêmica do doping por carne contaminada

Todo uso de substâncias proibidas que melhoram a performance deve ser condenado e repreendido, mas acho especialmente danoso quando isto é feito em combate de esporte, sobretudo no Boxe e na categoria pesada.

Antes de falar do caso em questão, Jarrell Miller, vou trazer outro semelhante e recente na categoria dos pesados, o do russo Alexander Povetkin. Povetkin era um campeão olímpico que se profissionalizou e indubitavelmente é um grande boxeador e muito técnico. Só que após sua derrota na luta contra Wladimir Klitschko em luta de unificação ele teve três lutas nas quais nocauteou de forma brutal seus adversários Manuel Charr. Carlos Takam e Mike Perez. Os dois últimos nunca haviam sido nocauteados em suas carreiras. O russo que não era conhecido por seu poder de nocaute, logo surgiram questionamentos sobre a possibilidade de ele estar se dopando. Não obstante, em sua luta seguinte parou o polonês Mariuz Wach que nunca havia tido uma luta interrompida.

                                                                          Povetkin contra Takam

Então, como era o desafiante número um ao cinturão de Deontay Wilder a luta entre os dois foi casada e já tinha data e local. Todavia, faltando pouco mais de uma semana para a luta em um teste foi identificado traços de Meldonium, substância proibida e a luta foi cancelada.  Após esse cancelamento, tentou-se casar luta contra o canadense Bermane Stiverne e novamente poucos dias antes da luta o russo foi pego pelo uso de nova substância, Dimetilamilamina. O canadense se recusou a lutar e outra vez o russo teve uma luta cancelada. Como ele ficou sem adversário e poucos quiseram se aventurar a lutar contra um lutador que estava sob efeito de drogas de performance, mas ainda assim seus promotores conseguiram de última hora que o francês Johann Duhaupas lutasse e para surpresa de ninguém este foi nocauteado de forma brutal como nunca vai sido na carreira.

Coincidência ou não, em suas lutas seguintes o russo não se apresentou com o vigor físico e poder de nocaute que estava tendo e em sua última luta contra Anthony Joshua foi nocauteado.

                                                                                       Joshua contra Povetkin

Isto nos traz ao objeto do post, o doping de Jarrell Miller, americano de 1.93m e 140 quilos, invicto em 23 lutas com 20 nocautes conseguiu a chance de sua vida, iria desafiar o campeão, o britânico Anthony Joshua que detém os cinturões da Associação Mundial de Boxe, Federação Internacional de Boxe e Organização Mundial de Boxe.

                                                                          Jarrell Miller

A luta seria nos Estados Unidos direto do Madison Square Garden em Nova Iorque no dia primeiro de junho, a primeira de Antonhy Joshua em solo americano. As expectativas eram altas e caso vencesse o campeão o americano iria para o topo da divisão dos pesados.

O cenário era perfeito para Miller, só não contavam com o teste da VADA (Associação Voluntária Antidoping). Semana passado foi anunciado que um teste de Millher feito no dia 20 de março apontou o uso de Endurobol, uma substância proibida.

O americano veio a público e disse que não tinha tomado nenhuma substância proibida e que tudo seria esclarecido. O promotor do britânico, Eddie Hearn, inclusive disse que Miller jurou pela vida de seus filhos de que era inocente neste caso. A Comissão Atlética de Nova Iorque havia negado a licença para a luta contra Joshua devido a ter sido encontrada a substância proibida.

Não obstante, foi feito novo teste com outra amostra, não tenho informação da data desta, e novamente outra substância proibida foi encontrada, dessa vez HGH (Hormônio de Crescimento). Como se isso não fosse suficiente, uma terceira amostra, retirada no dia 31 de março, apresentou traços de outra substância proibida, neste caso foi EPO, famosa por ter sido usada pelo ciclista Lance Armstrong e mais recentemente pelo lutador do UFC TJ Dillashaw.

Depois dos reiterados flagras o americano postou um vídeo no qual, ao contrário de seu posicionamento anterior, admitia o uso.

Ao pesquisar a situação descobri que esta não foi a primeira transgressão de Miller, pois quando luta no evento de Kickboxing Glory em 2014 em um teste acusou o uso de Dimetilamilamina, mesma substância que o russo Povetkin usou. Jarrell Miller tomou suspensão de nove meses da Comissão Atlética da California.

Logo, temos um lutador que iria ter sua maior bolsa já recebida, especulada ser de 6 milhões de dólares em contraste com seu maior pagamento até então de 500 mil dólares, iria desafiar por três títulos mundias em uma luta que poderia lhe alçar a condição de protagonismo no Boxe mundial e jogou tudo no lixo ao tentar entrar em uma luta arriscando a vida de seu adversário ao usar não uma, mas três substâncias proibidas.

Além disso, faço questão de repetir, ele é reincidente. Freddie Roach,  treinador de Manny Pacquiao, deu uma entrevsta e afirmou que precisam existir banimentos para atletas mais duros, inclusive por toda a carreira, somente assim os lutadores vão parar de se dopar no Boxe. Ele inclusive comparou isto a uma tentativa de homicídio. O que não é um absurdo, pois estamos falando de atletas com bem mais de 100 kgs que vão colocar em risco a vida do seu oponente de forma desleal.

                                                                              Freddie Roach

Concordo com ele e creio que as punições lenientes só ferem o esporte que precisa ser limpo e honesto para continuar a crescer. Espero que Miller tenha uma pena equivalente à sua gravíssima infração e fique afastado por muito tempo do Boxe e de qualquer outro esporte de combate.

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