Novo Ensino Médio

Reforma: o ensino médio vai mudar

Já imaginou se você pudesse ter seguido sua vocação desde a adolescência? E se não tivesse sido obrigado a passar três anos estudando conteúdos que nada tinham a ver com os seus interesses?

Ou mesmo se você tivesse tido a opção de terminar os estudos na escola já preparado para entrar no mercado de trabalho com um bom salário e reconhecido como um profissional qualificado?

Os mais de 8 milhões de jovens brasileiros atualmente matriculados no ensino médio terão a chance de optar por uma dessas possibilidades. Isso é apenas uma das mudanças previstas pela reforma do ensino médio. O objetivo é melhorar a qualidade do ensino no Brasil e tornar a escola mais atrativa e adaptada à realidade dos jovens.

REFORMA FOI APROVADA NO CONGRESSO NACIONAL

Ensino médio vai ficar mais atraente (Foto: Tatiana Fortes /O POVO)

A reformulação do ensino médio estava prevista no Projeto de Lei 6.840, que tramitava na Câmara dos Deputados desde 2013. Com base nos índices alarmantes da educação, o Governo Federal editou a Medida Provisória n° 746, de 2016, na tentativa de dar prioridade ao tema e acelerar a reforma.

A matéria foi aprovada pelo Congresso e sancionada sob a forma de lei (nº 13.415) em 16 de fevereiro de 2017. A implantação da reforma, entretanto, ainda depende da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), conjunto de orientações que deverá nortear os currículos.

O documento está sendo elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). A previsão é que ele seja homologado no início de 2018. O blog Novo Ensino Médio começa hoje uma série de matérias sobre as mudanças que a reformulação do ensino médio fará na educação brasileira.

Por que reformar o Ensino Médio?

Inúmeros debates em torno do sistema de ensino brasileiro vêm sendo traçados há décadas. Diversas tentativas de alavancar a educação no Brasil foram implantadas ao longo dos últimos anos. Mas números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram a pouca eficácia do que está posto.

Dos três níveis que compõem a educação básica, o ensino médio é o que apresenta os piores índices de crescimento e as maiores taxas de evasão escolar. Apesar dos esforços, em 10 anos, o Ideb do ensino médio cresceu apenas 0,3.

Além disso, 12,9% dos alunos matriculados na 1ª série do ensino médio evadiram da escola entre os anos de 2014 e 2015. Outros 12,7% dos matriculados na 2ª série também evadiram no período. Os dados são do Censo Escolar divulgado no último mês de junho pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo o MEC, além de levar em consideração os índices preocupantes, o novo modelo proposto tomou como base os debates acumulados nas últimas décadas. Isso permitiu ao governo acelerar a reforma por meio da Medida Provisória.

Debates sobre a Reforma

Entre as discussões que deram forma às propostas para o novo ensino médio estão:

  • 1998: Grande debate e aprovação das diretrizes do EM de acordo com a nova legislação da LDB de 1996;
  • 2002: Seminário Nacional sobre reforma do ensino médio;
  • 2007: FUNDEB com a promessa de garantir a universalização do EM;
  • 2007: MEC lança o Plano de Ações Articuladas;
  • 2009: Novo ENEM;
  • 2010: Ensino Médio Inovador;
  • 2010: CONSED cria o Grupo de Trabalho da Reforma do Ensino Médio;
  • 2012: Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio aprovadas pelo CNE;
  • 2013: Projeto de Lei (PL6840/2013);
  • 2014: Plano Nacional da Educação (PNE). Meta 3.1: “Institucionalizar programa nacional de renovação do ensino médio, a fim de incentivar práticas pedagógicas com abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática, por meio de currículos escolares que organizem, de maneira flexível e diversificada, conteúdos obrigatórios e eletivos articulados…”

A implantação da reforma será mais um grande desafio para educação brasileira. De forma lenta e gradual, o ensino médio no país tomará uma forma mais moderna e adequada ao mundo atual.

É imprescindível que a escola consiga dialogar, entender e dar o suporte necessário às demandas da juventude. A construção disso tudo só será possível com o engajamento dos próprios alunos, bem como de professores e pais de alunos.

Recomendado para você