Plínio Bortolotti

Adriano Espínola e a poesia urbana

O Vida & Arte do O POVO publica hoje [10/5/2009] a entrevista VeO Vida & Arte do O POVO publica hoje [10/5/2009] a entrevista Versos Universais, com um dos grandes cearenses da poesia, Adriano Espínola, hoje morando no Rio de Janeiro. Parece que o próprio poeta deixa de citar uma de suas obras primeiras “O lote clandestino” – que eu considero, junto com “Táxi”, o seu melhor livro – pois parece a obra seminal, aquela que vai sinalizar o rumo que o poeta dará à sua vida de escritor. [Aviso que eu não sou crítico, muito pelo contrário, sou um modesto e bissexto leitor de poesia.]
“O lote” (1982), da editora Água, foi impresso naqueles mimeógrafos “eletrônicos” em que se tinha de datilografar em uma matriz sem o uso da fita da máquina de escrever [só os dinossauros vão entender], portanto um livro artesanal.
Na capa uma lata aberta com o aviso: “PÔ! ESIA”; na contracapa, um Adriano com 30 anos em frente a uma placa de trânsito sinalizando o “Sentido proibido” e a exortação: “Agora,/vai para a rua,/descolar a poesia/verdadeira,/aquela que se escreve a muques & porradas”.
A poesia que abre o livro, Poétika é uma paulada nos bichos-grilo e nos poetrastos chegados ao “realismo socialista”. As três primeiras estrofes:

;e daí,
se eu não fui pras montanhas,
encher minhas mão de calos,
tomar banho de cuia,
plantar milho e versos
caipiras
ao amanhecer;

E daí,
se eu não me mandei pro interior,
para amaldiçoar o latifúndio,
falar camponês
(com sotaque pequeno-burguês)
e depois derramar meu ódio
e minha lágrima messiânica
a fim de me sentir mais poeta;

E daí,
se eu não zarpei numa jangada de timbaúba,
passei uma semana no mar,
pipoquei minha pele ao sol
e não voltei triunfantecom um caçuá de versos na mão?

MAS O QUE EU VEJO É A CIDADE!

[Neste livro, Adriano cita um cordel, que publicara em 1975, usando o pseudônimo de Pedro Gaia: “A cidade”, pelas edições Urubu, de Juazeiro do Norte.]

sos Universais, com um dos grandes cearenses da poesia, Adriano Espínola, hoje morando no Rio de Janeiro. Parece que o próprio poeta deixa de citar uma de suas obras primeiras “O lote clandestino” – que eu considero, junto com “Táxi”, o seu melhor livro – pois parece a obra seminal, aquela que vai sinalizar o rumo que o poeta dará à sua vida de escritor. [Aviso que eu não sou crítico, muito pelo contrário, sou um modesto e bissexto leitor de poesia.]
“O lote” (1982), da editora Água, foi impresso naqueles mimeógrafos “eletrônicos” em que se tinha de datilografar em uma matriz sem o uso da fita da máquina de escrever [só os dinossauros vão entender], portanto um livro artesanal.
Na capa uma lata aberta com o aviso: “PÔ! ESIA”; na contracapa, um Adriano com 30 anos em frente a uma placa de trânsito sinalizando o “Sentido proibido” e a exortação: “Agora,/vai para a rua,/descolar a poesia/verdadeira,/aquela que se escreve a muques & porradas”.
A poesia que abre o livro, Poétika é uma paulada nos bichos-grilo e nos poetrastos chegados ao “realismo socialista”. As três primeiras estrofes:

;e daí,
se eu não fui pras montanhas,
encher minhas mão de calos,
tomar banho de cuia,
plantar milho e versos
caipiras
ao amanhecer;

E daí,
se eu não me mandei pro interior,
para amaldiçoar o latifúndio,
falar camponês
(com sotaque pequeno-burguês)
e depois derramar meu ódio
e minha lágrima messiânica
a fim de me sentir mais poeta;

E daí,
se eu não zarpei numa jangada de timbaúba,
passei uma semana no mar,
pipoquei minha pele ao sol
e não voltei triunfantecom um caçuá de versos na mão?

MAS O QUE EU VEJO É A CIDADE!

[Neste livro, Adriano cita um cordel, que publicara em 1975, usando o pseudônimo de Pedro Gaia: “A cidade”, pelas edições Urubu, de Juazeiro do Norte.]

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