Plínio Bortolotti

Bispo Macedo quer tomar o poder e diz que foi Deus quem mandou

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Acabei de ler o livro Plano de poder – Deus, os cristãos e a política, escrito pelo mais bem sucedido pastor neopentecostal do Brasil, o bispo Edir Macedo, chefe da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Olha, eu vou te contar: dá medo. O homem está obcecado pelo poder, e tem um plano para tomá-lo. Ele parece considerar-se um novo Moisés e está convencido de estar agindo sob as ordens diretas de Deus.

Logo de início, na página 8, Macedo escreve: “Vamos nos aprofundar, através desta leitura, no conhecimento de um grande projeto de nação elaborado e pretendido pelo próprio Deus e descobrir qual é a nossa responsabilidade neste processo. […] Desde o início de tudo Ele nos esclarece de sua intenção de estadista e de formação de uma grande nação”.

Obviamente, o bispo fala do Brasil e se põe como intérprete e representante direto de Deus.

Macedo apela diretamente aos cerca 40 milhões de cristãos brasileiros [isto, é, os evangélicos, pois somente estes ele considera cristãos] para verem a bíblia não apenas como um livro religioso, mas também como uma espécie de “manual” de ação política, escrito pelo maior dos estadistas: Deus.

“[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo […] Quando todos ou a maioria dos que a seguem estiverem convictos de que ela é a Palavra de Deus, então ocorrerá a realização do grande sonho Divino”.

O homem sabe até com o que Deus sonha.

Para ele, a “mobilização geral” dos evangélicos, com sua “potencialidade numérica” pode “decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo quanto no Executivo, em qualquer escalão, municipal, estadual ou federal”. E seguem orientações práticas de como os “cristãos” devem proceder para eleger os seus, isto é, os representantes de Deus.

A comparação dos hebreus, sob o governo do faraó do Egito, com os “cristãos” brasileiros, à espera de um “libertador”, um novo Moisés, perpassa todo o livro. “Até porque temos percebido, por parte da sociedade, que ser evangélico no Brasil ainda é como ser estrangeiro no Egito nos dias do Faraó”.

Um dos capítulos é dedicado ao “agente apropriado” para assumir o poder e que isso – novamente a comparação com Moisés seria o “início do grande intuito divino”. Tudo indica que Macedo vê ele mesmo  como o “agente apropriado” para ser o “Moisés” brasileiro.

É de se lembrar que o bispo Macedo é dono da Rede Record. Segundo o portal Donos da Mídia, a Record é o quarto grupo de comunicação do país, com 142 veículos ligados à rede, sendo vice-líder em audiência em todo o Brasil.

[O livro Plano de Poder – Deus, os cristãos e a política foi escrito por Edir Macedo e Carlos Oliveira, diretor do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, tem 126 páginas e foi editado pela editora Thomas Nelson

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