Plínio Bortolotti

Termelétrica e siderúrgica a carvão

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Em sua coluna no Observatório da Imprensa,  no item “Vale a pena respirar?”, o jornalista Carlos Brickmann escreve o seguinte:

«O empresário Eike Batista, que se orgulha de ser um dos homens mais ricos do Brasil, está instalando uma usina termelétrica a carvão mineral no porto de Pecém, no Ceará. O dinheiro, naturalmente, sairá do BNDES: R$ 1,4 bilhão.

Puxa, há repórteres tão ativos lutando contra o aquecimento global e a poluição! Mas até agora esse trabalho não apareceu. Ninguém vai publicar nada sobre a tremenda poluição causada pelo carvão mineral? Nem vai lembrar que, quando Londres era aquecida a carvão, uma terrível neblina preta, o fog, cobria a cidade, e o índice de moléstias respiratórias era altíssimo? Nem que não tem sentido queimar carvão quando o Brasil enfrenta problemas por não conseguir consumir todo o gás natural que os contratos com a Bolívia nos proporcionam?

Uma usina termelétrica a gás natural não é tão pouco poluente como uma hidrelétrica. Mas, comparada à usina elétrica a carvão, é muito menos nociva. Se o empresário Eike Batista fosse construir com seus próprios recursos uma termelétrica a carvão, caberia aos meios de comunicação criticar a iniciativa, procurar técnicos que oferecessem alternativas menos agressivas ao meio ambiente e pedir ao governo que agisse contra a poluição. E, se é com dinheiro do governo, com o nosso dinheiro, como é que a imprensa silencia?

Exemplifiquemos. Vamos imaginar que, nos fogões domésticos, o gás natural ou o gás engarrafado sejam substituídos por carvão mineral. As casas ficariam inabitáveis. Jornais, TV, rádio e internet protestariam. E como é que a imprensa aceita que o patrimônio de todos seja mais maltratado do que o patrimônio de cada um?»

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Não é só a termelétrica a carvão que está prevista para ser construída no Pecém, mas também uma siderúrgica. Projetos nos quais o governo do Estado se empenha.

A propósito, O POVO vem acompanhando o assunto, inclusive com a publicação de matérias em que se questiona o combustível a ser usado na termelétrica e na siderúrgica, ouvindo ambientalistas e especialistas no assunto.

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