Plínio Bortolotti

Moacyr Scliar

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A mãe de Moacyr Scliar era leitora de José de Alencar, por isso o futuro escritor gaúcho ganhou o cearense nome do filho de Iracema, um dos romances mais representativos da literatura brasileira. Scliar, contou a história em um dos intervalos do programa que apresentei hoje [29/5/2009], entre 10h e 12h na rádio O POVO/CBN, no projeto O POVO Quer Saber.

Estiveram comigo os entrevistadores Miguel Macedo, Henrique Araújo e Ricardo Moura [jornalistas] e Tércia Montenegro [escritora]. Justificadamente, quem ganhou elogio dos entrevistado – “boa escritora, jovem e bonita” – foi somente a Tércia.

Scliar – médico especialista em saúde pública – é considerado um dos escritores brasileiros mais importantes da atualidade. Tem mais de 70 livros publicados e é imortal da Academia Brasileira de Letras [ABL] desde 2003. 

Vocês terão uma página amanhã no O POVO, mas anotei alguma coisa para adiantar neste blog:

Frases

“O escritor busca a verdade do ser humano”

“Pessoas felizes não escrevem”

“Quanto a pessoa está doente, muito doente, as máscares caem” [sobre sua experiência como médico]

“Às vezes meu lado médico estranha o meu lado escritor e, às vezes, meu lado escritor estranha o meu lado médico”

“Me tornei médico porque tinha medo da doença” [Ao dizer que ficava aflito quando via algum de seus pais doentes, sem poder fazer nada, por isso passou a querer entedenter de medicina]

“Não entendo o livro que faz o leitor sofrer” [por ser um texto “chato”]

“Ser escritor não é só botar o mal-estar para fora, é saber trabalhar com as palavras”

“Eu não sou litigante” [Ao explicar por que não processou, apesar da insistência dos advogados, o escritor canadense Yan Martel, que  no livro A vida de Pi, usou a mesma trama de seu livro Max e os felinos.

“Álcool não é fonte de inspiração” [declarando-se abstêmio, ao ser perguntando sobre a relação literatura e álcool]

“A pessoa recorre ao álcool pelo mesmo motivo que escreve: o desamparo social, só que escrever é libertador e o álcool escraviza”

Causos

Moacyr Scliar contou ainda uma piada e uma história sobre a vida de seu pai, imigrante judeu-russo, que chegou a Porto Alegre com 10 anos de idade.

Defensor do SUS, ele não resistiur a contar uma piada sobre o sistema de saúde

A piada

– Um dia Jesus resolveu ser médico do SUS. O primeiro paciente que chega é um paraplégico, na cadeira de rodas. Ao entrar no consultório Jesus ordena: “Levanta-te e anda”. O sujeito levanta e sai caminhando. Lá fora encontra um amigo que lhe pergunta: “Como foi?” E o paciente: “Igual a toda consulta no SUS, o médico me mandou embora e não receitou nada”.

A  história

“Até os 10 anos de idade meu pai nunca tinha visto uma banana”

Na aldeia russa que a sua família morava, conta Scliar, obviamente não havia frutas tropicais. Ao emigraram para o Brasil de navio a família, pobre, passa fome. O pai de Moacyr, então com dez anos de idade, chega magérrimo ao Brasil. Ao desembarcar, um gaúcho se compadece do menino e lhe dá uma banana, que ele não sabia como comê-la. Mexendo prá lá e prá cá, consegue descascá-la, mas a polpa lhe parece um caroço, que ele joga fora e come a casca. “Meu pai passou o resto da vida afirmando que a casca da banana era melhor do que o fruto”, sorri Scliar.

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