Plínio Bortolotti

Como trabalhar em equipe

Assisti  e vou reproduzir alguns trechos – muito longe de alcançar o brilho – da palestra de Angelina Nunes: “Como trabalhar em equipe”. Editora-assistente da editoria “Rio” do O Globo Angelina é presidente da Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo].

 Angelina dirige equipes que produziram matérias premiadas no Brasil e no mundo.  Aqui você poderá ver um perfil de Angelina e os prêmios que ela e equipe conquistaram.

http://www.abraji.org.br/?id=112&acao=detalhepalestrante&palestrante_id=11

Os trechos abaixo são da palestra de Angelina, alguns reproduzidos integralmente, mas a responsabilidade do texto é minha. Para postar de forma mais rápida, não tive como escrever o texto da forma como merecia ter sido escrito.

Cerca de 50 pessoas, entre estudantes e profissionais, assistiram à palestra.

Veja os trechos da primeira parte da palestra

Angelina começa dizendo que existem repórteres que acham que pode fazer tudo sozinhos, tipo Sherlock, tipo ridículo “Zé Bob” [referência a uma novela em que o “herói” era um reporte]. Isso não existe mais.

Mostra uma fotografia dos X-Men, e diz que cada um dos personagens um tem um poder diferente. No jornalismo, isso se traduz em “habilidade”: em uma boa equipe, cada um dos jornalistas terá uma habilidade que, em conjunta dará um bom resultado.

Diz também que os X-Men têm um líder, que se preocupa em forma outros líderes. E que, em bom chefe de equipe age desta mesma maneira. Dá exemplo de Wolverine, que chega para resolver, mas, antes, tem alguém para pensar as estratégias, que é o papel de chefe de equipe.

Pergunta se alguém viu a “Fuga das galinhas”. As galinhas já tinham tentando fugir, mas que não haviam conseguido. Por que não houve planejamento e nem houve estratégia. O líder serve para isso: para formular estratégias.

As galinhas eram um bando tentando fugir, cada uma correndo em uma direção. Em uma equipe, cada um tem suas habilidades – e o líder distribui as funções. Mas o líder tem de saber ouvir, o que é muito complicado dentro de uma redação.

O jornalista às vezes não quer trabalhar em equipe com medo de seu trabalho não aparecer. Mas, em uma equipe, cada um pode ter seu brilho isolado.

Trabalho em equipe: tolerância x compartilhar. Diferença do vôlei e o frescobol: vôlei manda a bola pra arrebentar com o adversário; frescobol a bola tem de ir legal para continuar o jogo. Outro exemplo: coral: precisa cantar e ouvir o outro; conserta o próprio tom a partir da escuta do colega ao lado.

Um verbo fantástico é “compartilhar”. Nas redações compartilha a agenda é uma das coisas mais difíceis, pois os repórteres têm medo de compartilhar as fontes. Isso não tem problema, pois as fontes que são minhas, continuarão sendo minhas. Na verdade, a fonte é do jornal; a fonte fala com o jornal. Um dia que o repórter sair ou for demitido daquele meio, a fonte continuará falando com o jornal.

Dá exemplo também do filme “O senhor dos anéis”: pessoas que não se conheciam antes e se unem em torno de um objetivo, mas sempre existe um personagem que diz  “é meu”. E diz que, na vida real, é a mesma coisa.

Muita gente fazendo uma pauta, não cria bagunça, mas vários olhares sobre a mesma pauta. Dá um exemplo: meninos e rua. E pede que cada um diz o que abordaria. Vários participantes levantam questões diferentes. Angelina diz: “É isso”. Vejam o leque que se abre; e nós procurados um olhar diferenciado.

Quando começou no jornalismo impresso havia a “cultura do esporro” nas redações. Alguém pegava a matéria e dizia: “Quem fez essa merda”;  parecia filme americano. Quando o filme americano entrou em crise, entrou o filme europeu: a bronca era baixinha e demorava três horas. Diz que a “cultura do esporro” está em extinção. E que os chefes que agem assim tendem a ser afastados.

De outro modo fala de repórteres que agem de modo parecido, que tem o hábito de discutir com as fontes e, quando são chamados a atenção, dizem: “Eu sou assim”. É a síndrome da Gabriela: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim”.

Fala da importância do bom-humor para o bom trabalho e diz que, em sua equipe, só trabalha com gente bem-humorada.

Fala que um bom chefe dá importância ao repórter. Diz que o repórter quer ser ouvido. E também que ele quer retorno: em forma de crítica ou elogio. Se não for assim, não dá certo. É preciso saber administrar egos. Saber ouvir opiniões diferentes. Dividir riscos, responsabilidades e tarefas.

Cabe também ao líder, ajudar a qualificar o seu repórter: incentivá-los a fazer cursos e a desenvolver mais as suas habilidades. Cabe ao líder identificar no que o repórter é bom e no que ele pode melhorar.

Diz que existem chefes que deixam as coisas se complicarem, sem fazer nada, para depois encontrar uma solução e dizer: “Se não fosse eu…”. Diz que é a “síndrome do Zorro”. O Zorro resolve, mas não ensinada nada a ninguém – e ainda deixa a sua marca. Faz o tipo “o bloco do eu sozinho” somente com o objetivo de “valorizar o passe”.

Mais do que um líder, uma “mãezona”, que também é problemático. Esse tipo de líder cria “panelinhas”, que já foram bem piores nas redações.

Para quem quiser fazer mais sobre liderança, coordenação e trabalho em equipe, recomenda os artigos de Pedro Mandelli – www.mandelli.com.br – que fala sobre administração, mas serve também para o jornalismo.

Nas redações não existe a cultura de compartilhar, mas da competitividade.

O que é negativo no trabalho de equipe? Estar sujeito ao humor dos outros. Sobrecarga de trabalho. Dificuldade de administrar egos. A tendência de alguns de impor seu modo de trabalho.

Isso acontece com mais intensidade de não houver um coordenador que perceba isso e possa corrigir. Mas é preciso gostar de gente e de saber lidar com gente.

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