Plínio Bortolotti

Fernando Henrique Cardoso diz que Ciro Gomes “não ajudou nada” no Plano Real

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Esta semana o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve em Fortaleza para uma palestra organizada pelo CIC [Centro Industrial do Ceará], a entidade que catapultou Tasso Jereissati para a política – e que tenta retomar seus melhores dias, isto é, o CIC.

[Da parte de Tasso, ele se diz muito feliz no Senado e rebarba a pressão para se candidatar a governador. A preços de hoje, o único que poderia fazer alguma sombra ao governador Cid Gomes, isto é, se o PSDB desembarcar do governo do PSB/PT/PDMD, etc.]

Deve ter sido em atenção a Tasso que FHC falou uma hora para os convidados do CIC cobrando R$ 50 mil pela palestra, quando seu preço de tabela é R$ 100 mil.

Na permanência em Fortaleza, FHC falou com a editora-adjunta de Política do O POVO, Kamila Fernandes, em entrevista que estará na segunda-feira nas Páginas Azuis.

Uma prévia

FHC demonstrou certa irritação quando Kamila iniciou uma pergunta dizendo que Ciro Gomes [quando ministro da Fazenda] ajudara no Plano Real. O ex-presidente interrompe para dizer:

“[Ciro Gomes] Não ajudou nada no Real, isso não é verdade. Eu vou repetir claramente porque não é verdade”.  No período em que ele foi ministro, disse o ex-presidente, “a coisa já estava feita”.

A respeito do que Ciro representava para ele, na época: “Um jovem governador promissor. Um tanto iconoclasta: quem está por cima eu sou contra e derrubo”.

Na entrevista FHC ocupou-se em criticar o presidente Lula, mas disse que, nas eleições do próximo ano, as baterias terão de se voltar contra Dilma Roussef. “Não podemos esquecer que a candidatura não é contra o Lula. É contra a Dilma. Então a comparação tem que ser com a Dilma.”

Sobre as inevitáveis barganhas políticas a que o exercício do poder impõe, FHC atacou.

“Se você tem agenda [para o país] e o Executivo é forte, ele conduz a agenda e mesmo aqueles que estão lá por razões, digamos assim, de interesse menor, votam as questões de interesse maior. Se não tem agenda, acontece o que aconteceu, como no caso do mensalão.”

Fernando Henrique disse que o “mensalão” foi uma “contribuição específica” do PT, que teria inaugurado o ato de “corromper diretamente deputados para ter votos”.

FHC falou ainda que algumas questões particulares, como o seu convívio de 60 anos com Ruth Cardoso. Diz que faz as próprias malas, prefere viajar sozinho, mas que, agora, com “a questão da idade” sai acompanhado de assessores.

Confira na segunda-feira nas Páginas Azuis do O POVO.

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