Plínio Bortolotti

Dilma Roussef e Marina Silva: resistindo ao preconceito e dando-lhe combate

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Na entrevista de ontem nos “Debates Especiais Grandes Nomes” [veja postagem abaixo], a senadora Marina Silva recebeu a seguinte pergunta de um ouvinte: ele perguntava como ela faria para “conseguir votos” dos eleitores cearenses “desconfiados da atuação das mulheres no Executivo”, refereindo-se especificamente à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins e à ex-prefeita de Caucaia, Inês Arruda.

A senadora, ressalvando que não entraria no mérito de julgar as administrações, deu um cacetada [com a elegância que a caracteriza] no preconceito. Disse o seguinte:

«Engraçado, quando um homem faz um gestão inadequada, ninguém diz que os problema estão com os homens, como um todo; mas quando é uma mulher, acontece logo essa generalização. Então, eu acho que se trata do velho preconceito de gênero. […] Eu não posso concordar com você [o leitor] que o erro de uma ou de duas é o erro de todas. Eu diria até que as mulheres têm um peso duplo em suas responsabilidades. Ao mesmo tempo em que têm que fazer tudo correto para ter uma boa gestão, elas têm que fazer tudo certo também para evitar desconstruir a imagens do feminino diante do processo de liderança.»

Dilma Roussef defrontou-se com o mesmo problema, como divulgou a edição de hoje do O POVO:

«A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, respondeu ontem, ao ser questionada por correspondentes estrangeiros no Brasil sobre a fama de “ranzinza” e “durona”, que,”se puder ficar paz e amor, é bom que se fique”. “É interessante a forma como se trata as mulheres na política”. A ministra citou como exemplos de mulheres que assumiram posição de liderança em seus países e são tachadas da mesma forma, como a ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher – conhecida por “dama de ferro” -, e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. “Estou num país em que nenhum homem assume suas posições. Quando eu assumo, sou tachada de durona e mal-humorada”.

Pois é, o velho preconceito é resistente, está entranhado de tal modo que parece algo natural. Ainda bem que existem mulheres sempre dispostas a trazer o debate à tona, dando-nos algumas valiosas lições.

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