Plínio Bortolotti

Agressão à liberdade de imprensa é menos grave quando acontece em Honduras? Ou – a escalada da censura dos golpistas

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Ilustração: Hélio Rôla

Ilustração: Hélio Rôla

Um

O governo de fato de Honduras decretou neste domingo (27/9) a suspensão de direitos como a liberdade de expressão, de protestar e suspendeu grupos de mídia em função dos dístúrbios ocorridos no país. O ministro do Interior de Honduras, Oscar Matute, afirmou que os veículos de imprensa que incitarem a violência podem sofrer as regulações do decreto. Também neste domingo, o governo de Honduras anunciou que o Brasil poderá perder a Embaixada no país se em 10 dias não decidir o destino do presidente deposto Manuel Zelaya [portal G1]. O governo de fato de Honduras suspendeu por 45 dias as garantias constitucionais, segundo um decreto que restringe as liberdades de circulação e expressão, e proíbe as reuniões públicas, entre outras medidas. [Portal Terra]

Dois

A deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya por grupos militares gerou cerceamento nas atividades da imprensa no país. Várias estações de rádio e TV foram fechadas entre domingo e a última segunda-feira (29/9/2009). Entidades internacionais de defesa da imprensa repudiaram a medida. Após os militares tirarem Zelaya do poder e o obrigarem a se refugiar na Costa Rica, soldados fecharam as redes internacionais de TV CNN, em Espanhol e Telesur, da Venezuela. Um canal pró-governo também foi censurado pelos soldados. [Portal Imprensa]

Três

Desde a última segunda-feira (21/9), quando voltou ao país, o presidente deposto está abrigado na embaixada brasileira na capital Tegucigalpa. Para a organização [Repóteres Sem Fronteiras], a volta de Zelaya endureceu o governo de fato. A RSF alega que, desde o começo das manifestações, os militares tentam manter a imprensa internacional à margem dos acontecimentos, e fazem tudo para impor o silêncio aos escassos meios de comunicação independentes que permanecem ativos no país. “Condenamos o empenho do governo de fato em silenciar uma situação muito grave. Exortamos o governo constituído a garantir os direitos dos cidadãos, e em particular o direito à liberdade de expressão e de circular livremente. A comunidade internacional, privada de informação, nem sequer pode divulgar o número de feridos e detidos”, declarou a RSF. [Agência Brasil]

Quatro

Nesta terça-feira (30/06/2009), o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) afirmou que está profundamente preocupado com a suspensão do sinal de alguns veículos de comunicação em Honduras. No último domingo (28/6), um golpe militar destituiu do poder o presidente Manuel Zelaya. Desde então, as transmissões de vários meios de comunicação audiovisuais foram suspensas no país. Carlos Lauría, coordenador do programa das Américas do CPJ, pediu que as autoridades hondurenhas garantam as transmissões e o trabalho dos jornalistas “durante este período crítico para Honduras. Em comunicado, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) também criticou as limitações sofridas pela imprensa em Honduras. A entidade pediu que a liberdade de imprnesa seja respeitada “de forma irrestrita”, e disse que esta “corre o risco de ser restringida pelo toque de recolher imposto” pelo Governo que assumiu no lugar de Zelaya. O presidente da SIP, Enrique Santos Calderón, afirmou que a entidade está preocupada “com a crise política em Honduras e as limitações à liberdade de informação”. [Portal Imprensa]

Impressões

1. É impressão minha ou há uma escalada de atentados contra aliberdade de imprensa por parte do governo de fato em Honduras?

2. É impressão minha ou parece que o cerceamento da liberdade – para a imprensa brasileira – parece que é mais grave quando acontece em Cuba ou na Venezuela?

3. É impressão minha ou ataque à liberdade de imprensa ganha mais destaque quando é em países dirigidos por “comunistas” ou por “populistas” da América Latina?

4. É impressão minha ou vários jornais da imprensa brasileira vêm tratando os golpistas de Honduras como “governo interino” e não como “governo de fato”.

Blog

Este modesto blog, modestíssimos aliás, está absolutamente tranquilo ao ter essas “impressões”. Daqui se critica a falta de liberdade de imprensa, com a mesma intensidade, onde quer que ela ocorra.

Veja:

? Venezuela.
? Estados Unidos.
? Cuba.
? Cuba.
? Dez piores países para ser blogueiro.

Vamos esperar que, agora, devido ao  aumento da truculência contra a liberdade de imprensa e de expressão, a coisa passe a ser vista com a gravidade que merece.

Veja ótimo post sobre o assunto no blog Notas Soltas, de Fabiano Angélico.

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