Plínio Bortolotti

Fortaleza, cidade sitiada

Na edição de ontem, O POVO publicou reportagem, assinada pela repórter Mariana Toniatti, mostrando que o caos urbano não se resume apenas às calçadas ocupadas: por carros, comerciantes, estacionamentos ilegais, etc.

As próprias ruas da cidade vêm sendo tomadas, tanto em bairros da periferias, como naqueles considerados “elegantes”, como o Papicu e Aldeota.

Pedi um depoimento a Mariana sobre o que ela viu; escreveu o seguinte:

«Muitas vias da cidade estão ocupadas por casas e pequenos comércios. O problema é antigo. Em grande parte dos casos, as ocupações irregulares têm quinze, vinte anos. Aconteceram numa época em que a via era um caminho de terra e hoje estão consolidadas. O problema se estende por toda Fortaleza. Em bairros mais urbanizados, como Aldeota e Montese, é ainda mais complicado dar jeito.

Em outros pedaços da Capital, como na área da SER VI [Secretaria Executiva Regional, espécie de “prefeiturinha”], que incluiu as imediações da avenida Wasghinton Soares, a existência de muitos terrenos vazios poderia ajudar a desocupar as vias, mas não há nenhum planejamento da Prefeitura em relação a isso. A SER VI encaminhou alguns pedidos de retomada de posse à Procuradoria Geral do Município, mas a ação é pontual.

A cidade promete crescer nas imediações da avenida Washington Soares. Mais uma vez, em médio e longo prazo, o planejamento da cidade está comprometido. Fortaleza cresceu desordenadamente e hoje acumula uma série de problemas urbanísticos e não há nenhum sinal de que daqui pra frente a coisa mude.»

Vejam como se estabelece e consolida a Fortaleza, terra de ninguém:

[caption id=”attachment_3161″ align=”aligncenter” width=”394″ caption=”Rua Almeida Rego, Cambeba: poder público construiu a Escola de Ensino Médio Governador Virgílio Távora (ao fundo) onde deveria ser a continuidade da via. Foto: Evilázio Bezerra.

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