Plínio Bortolotti

Roteiro de férias: observações gerais

Arte sacra no Centro Mestre Noza, em Juazeiro do Norte

Arte sacra no Centro Mestre Noza, em Juazeiro

Dizem que o mundo será dominado pelas mulheres. Se for o mundo das motocicletas, motonetas e bicicletas, já está tudo dominado, pelo menos no interior do Ceará, onde elas reinam absolutas sobre as duas rodas, tantos as jovens como senhoras.

O uso de capacetes por motociclistas é objeto raro e o negócio varia assim: em Quixadá, não vi ninguém sem o equipamento; em Icó ninguém usa a proteção.

As motocicletas e motonetas transformaram-se em um dos principais meios de transporte no interior. Vi famílias inteiras em motos: normalmente o pai na direção, um filho em cima do tanque, outro ensanduichado [às vezes dois vão desse jeito] e a mãe com  outro, o menorzinho, escanchado no quadril.

As jovens, a passeio – com roupa de “ver Deus” –, costumam carregar pelo menos outras duas amigas na garupa.

Vi de tudo sendo transportado em motos. Os mais inusitados: uma antena parabólica, sustentada acima da cabeça pelo garupeiro; um carrinho de mão [desses usados em construção civil] transportado entre o piloto e o garupeiro; um motociclista que amarrou alguns vergalhões de ferro deixando um “rabo” de cerca de cinco metros na moto, que ele ia arrastando pelo asfalto, levantando faíscas. Muitos usam engates pra ampliar a capacidade de transporte das motos.

O trânsito na maioria cidades interioranas é algo que se pode chamar, sem nenhum medo de errar de caótico, em todos os sentidos. Tire a sua conclusão: é bem pior do que em Fortaleza. Vai da falta de sinalização e planejamento ao modo como os motoristas e motociclistas conduzem seus veículos.

Como em Fortaleza, carros de som de publicidades, grandes e pequenos, infernizam a vida das cidades interioranas.

Pude ver na prática como funciona a “inteligência coletiva” na internet. Em alguns posts que fiz, vários leitores fizeram comentários dando sugestões do que poderia fazer em determinada cidade ou corrigindo informações.

Passei por dezenas cidades que deveriam ter coisas interessantes por descobrir, mas como tinha tempo limitado, parei nas seguintes, pela ordem: Quixadá, Quixeramobim, Icó, Orós, Juazeiro do Norte, Nova Olinda, Santana do Cariri e Crato. Rodei 1.658 quilômetros.

Viajei, o maior trecho, pela CE 060 – conhecida como Rodovia ou Estrada do Algodão, em boas condições. As demais CEs pelas quais trafeguei também estavam transitáveis, sem problemas maiores, a não ser a existência de animais na pista, principalmente entre Icó e Juazeiro do Norte.

A sinalização, tanto nas rodovias como dentro das cidades é bastante precária. É preciso atenção e disposição para perguntar. A grande vantagem no Ceará é que ninguém lhe nega informação e nem demonstra má vontade para lhe dar indicações.

Usei um mapa do Guia 4 Rodas. É bem detalhado e dá muito boas indicações, mas não resolve todos os problemas. Evite fazer seu trajeto somente pelo Google Maps, as informações ainda são muito precárias para você confiar somente nesse dispositivo. O Google Maps sempre mostra o caminho “mais curto” e você pode entrar em uma enrascada sem tamanho em estradas carroçáveis, intransitáveis ou perigosas.

Quanto ao Guia 4 Rodas das cidades, é um produto de qualidade, mas pouco ajuda quando se trata do interior do Ceará. Como o Guia tem de se ocupar de todas as cidades do Brasil, ele se detém nas mais “importantes” ou mais “turísticas”. As informações sobre Quixadá, Crato ou mesmo Juazeiro, por exemplo, não chegam nem perto de mostrar a importância dessas cidades.

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