Plínio Bortolotti

O congresso do PT e as receitas dos palpiteiros profissionais

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Pelo menos os que se interessam um pouco por política já devem ter lido sobre o Congresso do PT, que confirmou aquilo que somente a torcida do Corinthians e do Flamengo sabiam: a ministra Dilma Rousseff é a candidata do PT à Presidência da República.

Quer dizer, candidata não, pré-candidata, pois, segundo a legislação eleitoral somente em abril ela poderá se candidatar abertamente. Obviamente a lei caminha atrás da realidade, mas esse é outra discussão, aliás, muito bem feita, pelo jornalista Érico Firmo, na coluna Política de hoje, no O POVO.

O assunto aqui é:

No congresso foram aprovadas algumas teses da ala esquerda do PT. No entanto, aqueles de fato definem a direção do partido apressaram-se a explicar que as propostas, digamos assim, mais “radicais” tinham pouquíssimas probabilidades de entrar no programa da candidata, pois este teria de ser debatidos com outros partidos da coligação, etc.

Pois bem

O que eu acho interessante não é o fato de o PT ter-se deslocando para o centro do espectro político. Quem vê um pouco a história perceberá que esse é o caminho trilhado por todos os partidos de esquerda que empalmam o poder.

O surpreendente [talvez nem tanto] é que muitos colunistas que atacavam o PT por ser muito “esquerdista”, hoje criticam o partido por seguir suas prescrições de outrora. Isto é, por enquadrar-se no jogo político tradicional, de acordos e alianças.

O PT, pelo menos deu-se ao trabalho de fazer “autocrítica” e explicar-se aos eleitores com a Carta aos Brasileiros, seu ponto de inflexão.

Esses palpiteiros profissionais não se abalam para explicar por que condenam hoje o que antes defendiam; eles devem se considerar acima dessas miudezas. Na verdade fazer coro com a ala esquerda do partido que reclama [esta com razão, pois mantém a coerência] que o PT abandonou seu programa original.

A vanguarda

Alguns colunista, a exemplo dos antigos partidos comunistas, devem seconsiderar uma espécie de vanguarda da opinião pública e esperam que a “massa” os siga sem questionamentos, mesmo quando mudam de opinião ao sabor do vento.

São esses mesmos caras que ficam se queixando que a imprensa vem perdendo a sua importância e a capacidade de influenciar decisivamente a opinião pública [o que eu sempre considerei duvidoso].

Será que eles  se perguntam por quê?

PS. Não entro no mérito se o PT está certo ou errado ao tomar essa ou aquela medida em seu congresso – atribuindo a seus dirigentes a tarefa de negociá-las com os “partidos aliados”. Essa avaliação cabe ao partido, aos seus militantes e seus eleitores. O papel do jornalista é relatar os fatos e, ao escrever um artigo, submetê-los à análise. De preferência, resguardando um pouco a coerência. O tempo do jornalista superpoderoso, ditador de regras de comportamento para a sociedade [“Isso é uma vergonha!”] já foi superado, mas alguns ainda insistem em desconhecer a realidade.

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