Plínio Bortolotti

O avião que sequestrava sonhos

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Hélio Rôla

Do artista plástico Hélio Rôla, recebi título, texto e ilustração:

«Um conto do vigário

Amigo Ruy Lima [apresentador do “Grande Debate”] … em relação ao debate na TV O Povo, 11/03/10, você foi um excelente animador… Os comentários, perguntas e respostas, de modo geral, deixaram claro que os voos de saída do aeroporto Pinto Martins se adensam durante a madrugada e chegam a uns 13 aviões super-ruidosos, e voando baixo, entre 1-2 e 6 horas da manhã. Não é mesmo uma coisa de céu acima? Isso, todo dia, toda noite…

Mas, de estarrecer foi saber, naquelas conversas, no ar e em off, que a Infraero em seus planos e projetos de expansão do tráfego aéreo sobre a cidade, “visando” 2014, “o ano da bola”, não levava em conta que lá embaixo, sob os aviões, tem muita gente e vida, e, o pior, ela muito menos quer, responsavelmente, se dar conta de que o dano socioambiental já em curso, resultante de suas operações, vai se agravar em muito com o aumento do tráfego aéreo.

A razão é muito simples, o aeroporto se localiza no coração da cidade e portanto tem que ter limites de operação… O porta-voz da Infraero, como todo bom “ser fiel” disse que eu era, na cidade, o único a reclamar dos aviões… Fui salvo desse comentário autoritário e menor quando o Dr Paulo Albuquerque, da OAB, lembrou que eu, como qualquer outro cidadão queixoso estava e era legitimamente acobertado pela Constituição Brasileira…

Foram oportunas e ilustrativas as intervenções do Sr. Aurélio Brito, da Semam, falando sobre a configuração de uma carta acústica da cidade que servirá para, dentro em pouco, harmonizar a vida social de seres que vivem, produzem e ganham a vida do barulho que fazem… Uma empresa que se apropria, polui a atmosfera e não reconhece a legitimidade daqueles que se queixam de suas operações não é democrática …

Poluir o mundo, maltratar as pessoas e ganhar na marra é coisa de tirania empresarial fora da lei… crime contra a humanidade… Basta de apropriação violenta das pessoas e das coisas do mundo, como fazemos agora, temos que entrar em convenção para conciliar interesses… Mas, tudo dentro da legislação vigente, sem burlas grosseiras, piratarias espertas nem parasitismos doentios que não recomendam…

Para finalizar, a enquete poderia ter especificado que o respondente deveria habitar sob as rotas aéreas… Enfim, temos tempo, somos jovens e, oportunamente, esse avião “imaginário e invisível” que alopra aeronauticamente e despeja seus dejetos sobre boa parte da cidade, em cima de nós, de mim e de você, surgirá, logo mais, em toda sua plenitude…

Saudações da pARTE do Hélio Rôla,
“O anti-aéreo?”»

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