Plínio Bortolotti

Mães da Praça de Maio condenam, como “traidores da pátria”, jornalistas e jornais “cúmplices” da ditadura argentina

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«Não houve surpresa nem perdão. As Mães da Praça de Maio declararam culpados do delito de “traição à pátria” todos os jornalistas e meios de comunicação que foram submetidos ao “julgamento ético e político” por sua “cumplicidade com a última ditadura militar. Ademais, anteciparam quem serão os próximos a ocupar o banco dos réus: os juízes que trabalharam entre 1976 e 1983.»

Foi dessa maneira que o jornal argentino La Nacion (um dos “condenados”), em sua edição de hoje [1º/5/2010],  iniciou matéria falando da manifestação em que as Mães da Praça de Maio (associação de mulheres que tiveram filhos assassinados pela ditadura na Argentina, entre 1976 e 1983) fizeram ontem em frente à Casa Rosada (sede do governo).  O ato serviu para julgar jornalistas e jornais que, segundo as Mães, foram cúmplices dos ditadores argentinos.

Quem fez o papel de juíza e declarou culpados sete jornalistas e cinco meios de comunicação, entre eles o Clarín e La Nacion, foi a presidente da associação, Hebe Bonafini. A sentença foi votada por 200 pessoas, segundo o La Nacion, que participaram da manifestação.

O julgamento ocorre em momento que a relação entre o governo da presidente Cristina Kirchner e os meios de comunicação está extremamente tensionada. No link do La Nacion, indicado acima [em espanhol], pode-se ver várias matérias relacionadas em que o tema é abordado. Também há fotos e vídeo da manifestação.

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