Plínio Bortolotti

O morto espetacular na TV

"Dura Lex : O morto espetacular na TV", de Hélio Rôla. (Imagem pastel seco sobre papel)

O artista plástico Hélio Rôla, ilustrador oficial e colaborador compulsório deste blog, manda-me a ilustração e o texto abaixo, que compõem a Rolanet da semana, sempre ácidas.

Nossa violência arcaica e comum & nossos saberes

«“Os campos de extermínio ou de trabalhos forçados, as prisões e favelas, o acúmulo de indivíduos em condições aviltantes revelam sem qualquer artifício a verdadeira realidade da condição humana: esse é o homem em sua condição de indivíduo anulado, ferido, aniquilado em sua essência… Somente o miserável conhece o verdadeiro homem. Além disso ele reconhece o nós por tê-lo observado de uma posição de inferioridade. O sociólogo conhece menos a miséria do que o miserável a sociologia”…

Nossas novas capacidades de construção, de exploração, de destruição, aliadas ao crescimento do nosso número e à nossa violência arcaica e comum, nos trouxeram, hoje, a um ponto, para um pólo inesperado dos tempos onde esta eficácia recente de nossos saberes, de nossas técnicas, ou seja de nossos poderes, se reencontram e transformam o destino global dos humanos, a evolução das espécies vivas e o estado do planeta…”  [Michel Serres, em “O Incandescente” – Ed Bertrand Brasil – e “La Guerre Mondiale” – Ed. Le Pommier]

Para o melhor e para o pior? Cabe a pergunta, uma vez que a pobreza é quase-universal enquanto os ricos do mundo se contam nos dedos da mão… ouvi dizer.»

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