Plínio Bortolotti

Adriano e Kaká: Os famosos

Ilustração de Hélio Rôla (com exclusividade para os leitores do blog)

Meu artigo semanal, publicado na edição desta quinta-feira (10/6/2010) do O POVO:

Os famosos
Plínio Bortolotti

Não sei se o jogador Adriano, ex-Flamengo e agora da Roma (Itália), usa drogas, se dá dinheiro a traficantes, ou se agrediu a sua namorada. Sei é que ele não pode ser inculpado, a priori, por ser famoso – e também não pode se esconder atrás da fama para se defender.

A verdade é que o tempo do “futebol romântico” passou. O futebol profissionalizado não mais admite que um jogador saia da farra e vá direto para um jogo ou se mostre contumaz “baladeiro”. Times que pagam salários milionários aos “galáticos” exigem um mínimo de profissionalismo e compostura.

Pelo menos duas coisas são comprováveis no caso de Adriano: ele aparece em foto reproduzindo com as mãos as letras iniciais da organização criminosa Comando Vermelho; e também pode ser visto empunhando uma metralhadora, que sua assessoria diz ser uma arma de “paintball” (que dispara projéteis de tinta).

Ainda que essas ações não possam ser caracterizadas como crime, é de se esperar que um “ídolo” para milhões de torcedores, muitos deles crianças, tenha comportamento condizente com o seu status.

Ora, para justificar seus percalços, Adriano disse que o sucesso dele “incomoda muita gente”. Mas qual a relação com as acusações sofridas? A única relação possível é que teriam menos (ou nenhuma) publicidade se o personagem fosse uma pessoa “comum”.

Poder-se-ia perguntar, em contraposição, por que a fama de Kaká “incomoda” menos gente. Os dois são famosos, ambos são craques. O que os diferencia?

Obviamente, ninguém exige que jogadores sejam santos. Estamos, todos, sujeitos a falhas e erros, a ter problemas e a passar por fases ruins – que têm de ser respeitadas. Ninguém “acusou” Casagrande, por exemplo, quando ele se afastou para fazer tratamento para se livrar das drogas.

Fama traz reconhecimento e dinheiro, mas é preciso lidar com seus corolários: exposição exagerada, redução do espaço privado, cobrança por parte do público, escrutínio da imprensa.

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