Plínio Bortolotti

Filme mostra como se pode inventar um fato e fazê-lo virar notícia

Trecho abaixo é de matéria do portal Comunique-se, onde o texto poderá ser lido na íntegra

«O jornalista Ricardo Kauffman estreia nesta sexta-feira (18/06) o documentário “O Abraço Corporativo”, no Cine Belas Artes, em São Paulo. A obra discute a mídia na era da notícia em tempo real e a divulgação de notícias irrelevantes. O vídeo ficou conhecido na 33ª Mostra Internacional de São Paulo.

O documentário apresenta a história de um consultor de RH fictício, chamado Ary Itnem, que divulga a Teoria do Abraço. O método pretendia afastar uma doença enfrentada pelas empresas chamada inércia do afastamento – um mal causado pelo uso excessivo das novas tecnologias. Ary saiu pelas ruas de São Paulo pedindo abraços aos pedestres e ganhou grande destaque na mídia.

“O objetivo é discutir a divulgação de notícias irrelevantes. Discutir assuntos que são ou não importantes, como o jornalismo deve fazer esse filtro”, explica Kauffman.

O documentário também mostra o personagem, vivido pelo ator Leonardo Camillo, com uma teoria inventada, em contato com emissoras de TV, rádio, jornais, revistas e portais da Internet. A produção do documentário foi feita sem orçamento, apenas com a colaboração de amigos e produtoras. O trabalho durou cinco anos.

Personagem fictício enganou os jornalistas e ganhou espaço em toda mídia

Além de contar a trajetória do consultor de RH fictício, “O Abraço Corporativo” traz depoimentos de Juca Kfouri, Eugênio Bucci, Contardo Calligaris, Bob Fernandes e o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, entre outros. As entrevistas tratam de como são produzidas as notícias nos dias de hoje.

“Uma vulnerabilidade é que os jornalistas muitas vezes publicam o que não têm certeza, e traz vulnerabilidade para a sociedade”. Para Kauffman, não há uma resposta certa para que o jornalismo resolva o problema de conciliar a velocidade com divulgação de notícias sem a devida confirmação, mas sugere que os veículos, ao terem a notícia de um acontecimento inesperado, sejam transparentes. “Eles poderiam informar que a notícia está sendo apurada, que ainda não está confirmada, esse veículo teria credibilidade para mim”.»

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