Plínio Bortolotti

Eleição/Engano dos diabos

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De Hélio Rôla, o cara que foi buscar a silêncio nos terreiros da Lagoa Redonda e deparou com o zoada nos céus, recebi o título, texto e ilustração.

Eleição/Engano dos diabos

«Ora se Deus, omnisciente e veraz, não erra, dizemos, nem mente, se a natureza ela mesma não nos engana, posso, eu mesmo, me dizer verídico e infalível? Não… Não tenho mais nada a dizer nem a contar, é preciso, rápido, que eu invente para tapar este buraco do nada onde eu sinto e vivo com frequencia o vazio. Então, aflito, eu aumento. Exagero, inflo, substituo. Eu crio ou eu minto? Ao risco ético da mentira, ao risco patético da paranóia, eu me tomo por um deus criador de palavra performativa: eu creio, duro como o ferro e de má fé, que eu vivo verdadeiramente como eu digo e tento, loucamente, fazê-lo crer. Tornado deus enganador, troco minha vida pela verdade; eu minto para existir…» [Michel Serres “Recits d’humanisme”,  Editions Poche Le Pommier, 2009, Paris p. 82.]

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