Plínio Bortolotti

Professores do Curso de Comunicação Social da UFC assinam manifesto a favor do Conselho de Comunicação

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Rcebi, via e-mail, um informativo indicando que professores do Curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC) apoiam o manifesto em defesa do Conselho de Comunicação Social, cujo projeto de indicação foi aprovada na Assembleia Legislativa do Ceará.

Não se esclarece quantos e quais professores assinaram o manifesto, mas pelo que dá a entender o texto, foram todos os docentes do Curso de Comunicação que aderiram ao documento.

Segue a íntegra do comunicado distribuído pelos professores

[Veja aqui o comentário que faço a respeito do assunto]

Professores são a favor do Conselho de Comunicação

Os professores do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará assinaram o “Manifesto em defesa do Conselho de Comunicação Social e da democracia”. De acordo com a Coordenadora do Curso, professora Glícia Pontes, “os docentes apoiam a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social e compreendem essa iniciativa como fundamental para garantir avanços no processo de democratização da comunicação e na formulação de políticas públicas que versem sobre os meios de comunicação no Ceará e no Brasil”. Abaixo, a íntegra do Manifesto:
Manifesto em defesa do Conselho de Comunicação Social e da democracia

“As entidades abaixo assinadas manifestam publicamente seu total apoio à criação do Conselho de Comunicação Social do Estado do Ceará e repudiam, de forma veemente, as tentativas de setores conservadores da sociedade de desqualificar a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de propor ao governador Cid Gomes (PSB) a criação de um órgão que possibilitará a efetiva participação da sociedade cearense na criação de políticas públicas em comunicação do Estado.

“Um Conselho tem como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular, o controle social e a gestão democrática das políticas e dos serviços públicos, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução destas políticas e serviços públicos. Hoje, existem conselhos municipais, estaduais e nacionais, nas mais diversas áreas, seja na Educação, na Saúde, na Assistência Social, entre outros. Um Conselho de Comunicação Social é, assim como os demais Conselhos, um espaço para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, tenha o direito a participar ativamente na formulação de políticas públicas e a repensar os modelos que hoje estão instituídos.

“Longe de ser uma tentativa de censura ou de cerceamento à liberdade de imprensa, como tenta fazer crer a grande mídia (nada mais que uma dúzia de famílias) e seus prepostos, o Conselho é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, jornalistas brasileiros e setores progressistas do empresariado que atuam pela democratização da comunicação no Brasil e não uma construção de partido político A ou B. E mais, falta com a verdade quem diz ser inconstitucional o Conselho de Comunicação, pois este está previsto na Constituição, no Artigo 224, que diz “Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei”, com direito a criação de órgãos correlatos nos estados, a exemplo dos demais conselhos nacionais.

“Uma das 672 propostas democraticamente aprovadas pelos milhares de delegados e delegadas da sociedade civil empresarial, não-empresarial e do poder público, participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), os Conselhos de Comunicação Social são a possibilidade concreta de a sociedade se manifestar contra arbitrariedades e abusos cometidos pelos veículos, cuja programação é contaminada por interesses comerciais, que muitas vezes violam a legislação vigente e desrespeitam os direitos e a dignidade da pessoa humana.

“A desfaçatez com que o baronato da mídia e seus asseclas manipulam a opinião pública, na tentativa de camuflar a defesa de interesses econômicos e políticos que contrariam a responsabilidade social dos meios de comunicação e o interesse público, merece o mais amplo repúdio do povo brasileiro. Eles desrespeitam um princípio básico do jornalismo, que é ouvir diferentes versões dos acontecimentos, além de fugir do debate factual, plantando informação.

“É chegada à hora de a sociedade dar um basta à manipulação da informação, se unindo aos trabalhadores, consumidores, produtores e difusores progressistas na defesa da criação, pelo poder público, dos Conselhos de Comunicação Social. Somente assim, o povo cearense evitará que o Governo do Estado sucumba à covarde pressão de radiodifusores e proprietários de veículos impressos que ainda acreditam na chantagem e na distorção da verdade como instrumento de barganha política.

“Que venham os Conselhos de Comunicação Social, para garantir à sociedade brasileira o direito à informação plural, a liberdade de manifestação de pensamento, criação, e a consolidação da democracia nos meios de comunicação.” [Grifei]

Assinam: Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará – Sindjorce, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC, Curso de Comunicação Social – Universidade Federal do Ceará, Instituto de Juventude Contemporânea – IJC, Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – Abraço-CE, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará – Cedeca-CE, União da Juventude Socialista – UJS, União Brasileira de Mulheres – UBM, Agência de informação Frei Tito para América Latina – Adital, ONG Catavento Comunicação e Educação, Fábrica de Imagens – ações educativas em cidadania e gênero (Fortaleza CE), Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores e Comunicadoras do Brasil e outras entidades.

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