Plínio Bortolotti

Wikileaks: segundo fonte diplomática americana, Cuba proibiu “Sicko” por elogiar demais seu sistema de saúde

[Veja abaixo link para post de Michal Moore em que ele nega que “Sicko” tenha sido proibido em Cuba. Acrescentei depois de alguns minutos de publicado o post, alertado sobre o fato de que o diretor do documentário já havia dado esclarecimentos em sua página da internet.]

Sempre achei interessante e divertidos – mas muito exagerados e maniqueístas – os filme de Michael Moore. Gosto, principalmente de Roger & eu, em que ele narra a sua saga para falar com o presidente da Ford, que tomara a decisão de fechar uma fábrica em Flint (Michigan, EUA), cidade do diretor. Assisti ao filme em uma dessas madrugadas perdidas, muito tempo atrás – quando ainda a internet não era difundida – e anotei o nome de Moore para buscar mais referências dele.

Pois bem agora com mais um vazamento do Wikileaks, fica-se sabendo que o governo de Cuba teria vetado a exibição de Sicko, por considerar que o documentário “pintava um cenário favorável demais do sistema de saúde da ilha”, conforme matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo (pág. A20, 19/12/2010). Em “Sicko” Moore faz severas críticas do sistema de saúde americano e o compara com o de alguns outros países.

Segundo a matéria, o que o governo cubano temia com os elogios desmedidos, segundo anotou a fonte diplomática dos Estados Unidos, é que a população cubana cobrasse do governo aquilo que o filme mostra – e que não corresponderia à realidade.

Atenção: Michael Moore afirma em sua página na internet, o filme “Sicko” não foi proibido em Cuba. Segundo ele, os ataques e a versão de que o filme foram fabricados por setores anticastristas de Miami e enviados de Cuba por um funcionário do Departamento de Estado americano. Fui alertado do post de Moore pela professora Sandra Helena (@sahelena), a quem agradeço. Veja o post de Michale Moore: Viva Wikileaks! Sicko não está banido de Cuba.

Veja abaixo a matéria publicada pela Folha de S. Paulo.

Raúl fez pedido de “linha direta” para se aproximar de Washington
Folha de S. Paulo 19/12/2010

DE SÃO PAULO – O ditador cubano, Raúl Castro, pediu uma “linha direta” de comunicação com Washington no fim de 2009, segundo papéis da diplomacia americana revelados pelo WikiLeaks. De acordo com os documentos, ele considera que o diálogo constante seria a única maneira de “tomar atitudes que se adequem aos interesses americanos”.
Desde que assumiu definitivamente o lugar de Fidel, em 2008, Raúl mostrou algumas vezes abertura ao diálogo com os EUA. Mas prefere fazê-lo em sigilo, relatam os telegramas.

O WikiLeaks também revelou que o governo de Cuba teria vetado a exibição do documentário “Sicko”, de Michael Moore -que ataca duramente o sistema de saúde dos EUA-, por temer um efeito bumerangue junto à população. Havana avaliou que o filme pintava um cenário favorável demais ao sistema de saúde da ilha.

Quando a película foi mostrada a funcionários cubanos da representação diplomática dos EUA, alguns “se mostraram tão indignados com a clara tergiversação que se fazia da realidade da saúde na ilha que deixaram a sala de projeção”, dizem os documentos.

Na noite de sexta-feira, o Bank of America anunciou que não atenderá mais o WikiLeaks. O banco disse que segue decisões já tomadas por Mastercard, PayPal e Visa, mas não apresentou justificativa. Nos dias seguintes ao anúncio de medidas contra o WikiLeaks, os sites das operadoras de cartão de crédito foram atacados por hackers.

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