Plínio Bortolotti

Ato defende Luiza Perdigão, da Executiva Regional Centro, de ameaças de morte

Luíza Perdigão conversa com ambulantes no centro de Fortaleza. Da página Fortaleza no Centro (www.fortalezanocentro.com.br), de Gustavo Vieira (clique para ampliar)

Para esta segunda-feira (17/1/2011) está sendo organizado um ato “pelo reordenamento do comércio ambulante do Centro, contra as milícias, a pirataria e todo tipo de violência na cidade”.

O ato também é em defesa de Luiza Perdigão, titular Secretaria Executiva Regional do Centro, que vem sendo ameaçada de morte por uma gangue armada, que seria chefiada por um tenente da Polícia Militar.

A secretária divulgou uma carta aberta (abaixo) na qual expressa o temor que sente ao ver-se e à sua família ameaçadas: “Não obstante o caráter destemido que marca minha personalidade e o fato de ser identificada como uma mulher guerreira no trato da coisa pública, confesso que temo por minha vida e pela integridade da minha família.”

A manifestação será às 18 horas, em frente ao Theatro José de Alencar, com apresentações artísticas.

As ameaças de morte contra a secretária foram objeto de uma série de matérias no O POVO.
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Comentário

Se eu dei nome a uma seção deste blog de “Fortaleza, terra de ninguém”, devido ao descaso que eu vejo na Prefeitura em relação à administração da cidade, posso dizer que estamos entregues ao cão, quando se trata de segurança pública.

Os civis, os cidadãos em geral, correm risco de morte com uma “segurança pública”, cuja polícia tem uma facção criminosa que ninguém tem coragem de enfrentar.

Corporativismo, um governo que reluta a confrontar as gangues formadas por policiais, Judiciário insensível, demorado e com outros problemas que levam magistrados às barras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – formam o caldo de cultura no qual o cidadão – e até autoridades – são acuadas, ameaçadas e impedidas de fazer o seu trabalho.

O guarda da esquina

E, vejam, isso acontece com uma secretária de um governo municipal do PT, aliado do PSB, que governa o Estado. É de se supor que Luíza Perdigão tenha recorrido a todas as instâncias e a todos os seus aliados políticos e — nada.

As “autoridades” policiais e civis somente começaram a se mexer quando o caso ganhou publicidade. Se acontecesse algo pior, esse pessoal ia colocar na conta da “fatalidade”.

Imaginem o que pode, ou melhor, o que não pode, o cidadão comum – principalmente se for pobre -, mesmo contra o guardinha da esquina.

Raio

O “Raio”, a “tropa de elite” da Polícia Militar do Ceará vem fazendo incursões por bairros pobres da periferia, apontando armas pra moradores e fazendo o famoso “bacurejo” (revista de armas: mãos na cabeça-encoste na parede-abra as pernas). Isso tudo sob a vista de uma câmera de televisão para depois o secretário da Segurança “mostrar serviço” nos programas “policiais” de TV.

Tenho uma sugestão para o secretário da Segurança, coronel PM Franscisco Bezerra: tenha igual procedimento nos lugares onde se reúnem os “playboys”, bebendo, dirigindo perigosamente e pondo a vida das pessoas em risco.

Um desses “points” – há outros – é uma padaria que fica logo após os trilhos, da av. Santos Dumont (em direção à Praia do Futuro). Mas só vale se for pela televisão e mostrando a cara dos “elementos”, como é feito nos bairros da periferia

Leia a carta aberta de secretária da Executiva Regional Centro.

Carta aberta
Pelo reordenamento do comércio ambulante do Centro de Fortaleza

Escrevo esta carta, motivada pelas notícias veiculadas amplamente nos meios de comunicação deste Estado, sobre as denúncias que fiz formalmente à polícia, de que estou sendo ameaçada de morte e sofrendo outros constrangimentos como servidora pública, no exercício da Secretaria Executiva Regional do Centro.

As ameaças começaram há mais de um ano, quando retomamos para a administração do Município o controle do extinto mercado público Beco da Poeira e quando desalojamos de lá as fábricas e pontos de venda de CDs e DVDs piratas.

Não obstante o caráter destemido que marca minha personalidade e o fato de ser identificada como uma mulher guerreira no trato da coisa pública, confesso que temo por minha vida e pela integridade da minha família.

Mas confio que ainda haja tempo para uma reação concreta e decisiva da polícia, do Ministério Público e da Justiça do Ceará, que me assegure os direitos constitucionais de viver e de trabalhar em paz. E que garanta também as condições de seguir com o Plano de Reordenamento do Comércio Ambulante do Centro de Fortaleza.

O trabalho pode ser mais eficaz, na medida em que o fortalezense entenda o que se segue:

1. Que o Município não se afastará do dever de resgatar os espaços públicos para o uso comum e de assegurar aos vendedores ambulantes e a seus clientes um lugar adequado para a comercialização.

2. Que o gestor público Municipal é impedido por lei de contemplar com espaços de venda os camelôs de produtos ilegais.

3. Que o Estado não pode ser refém de um grupo criminoso, que age de forma organizada e violenta, pela ocupação de calçadas e praças.

4. Que precisamos todos coibir a pirataria, que só traz danos autorais, ao fisco estadual, à receita do comércio e ao consumidor de menor poder de compra.

É o apelo republicano que faço ao encerrar esta carta aberta.

Agradeço o apoio recebido da gestão da prefeita Luizianne Lins e dos que acreditam no meu compromisso, especialmente amigos e familiares.

E fico torcendo para que o Reordenamento do Comércio Ambulante do Centro seja um desejo inarredável dos cidadãos e das instituições. Afinal, muito temos a fazer pela área da cidade que é o centro de tudo e o centro de todos.

Fortaleza, 14 de janeiro de 2011.

Luiza Perdigão – Secretária Executiva Regional do Centro

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