Plínio Bortolotti

Policiais do Ronda agridem dois irmãos, um de 14 outro de 18 anos, segundo a coluna Bric-a-Brac

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Em duas notas a coluna Bric-a-Brac, na edição de hoje (16/1/2011) do O POVO (caderno People) publicou as duas notas abaixo, com intertítulos deste blog. A coluna é assinada pela jornalista Inês Aparecida.

Vagabundos

O programa Ronda do Quarteirão, em sua essência, tem bons propósitos. A sociedade sabe, no entanto, que princípios foram e estão sendo desvirtuados, principalmente pela falta de preparo de seus policiais. Se por um lado contabiliza ganhos, o Ronda também vem se caracterizando pela forma truculenta de agir. São muitos os casos que podem ser contados, alguns de tristíssima lembrança. Mas como o comportamento se repete, a impressão que se tem é a de que o comando do programa pouco se preocupa em repassar a seus quadros, as lições de como agir com civilidade. Há menos de uma semana, dois irmãos, um de 14 e outro de 18 anos, em plena av. Desembargador Moreira, na Aldeota, foram violentamente abordados por policiais, confundidos com “vagabundos”, como disseram.

Jovens na periferia não podem andar em “áreas nobres” sem despertar suspeitas

Eram dois jovens, residentes no que se costuma chamar periferia da cidade, que pouco habituados a andar pela zona tida como nobre da cidade, se perderam em busca de um restaurante no qual familiares se reuniam para comemorar o aniversário de um tio. Desceram do ônibus na parada errada e estavam alheados. Os policiais não se conformavam com as explicações dadas, apertavam-nos violentamente (o menor era agarrado pelo pescoço) e até debocharam dos poucos trocados que levavam no bolso, dizendo que devia ser o que sobrara da compra do crack. Os garotos, estudantes aplicados, criados com muito carinho por uma mãe que é a chefe da família, estão traumatizados. Seria muito bom que histórias como essa não precisassem mais ser contadas.

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