Plínio Bortolotti

Humano feito vaca e em nome da galinha

O artista plástico Hélio Rôla, que lá pelas bandas da Lagoa Redonda perscruta o infinito, enquanto os aviões lhe atenazam o juízo, está intensificando a sua campanha contra o barulho aéreo a que os moradores são submetidos.

Cansado de apelar para o habitar humano, resolveu pôr os bichos na parada, do mesmo modo que fez o advogado Sobral Pinto, quando apelou para a Lei de Proteção dos Animais para que seu cliente, Luiz Carlos Prestes, tivesse tratamento digno na prisão em que estava.

Segue o texto do Hélio Rôla


Agressão acústica, humano feito vaca?

A partir de 55 decibéis, em casos de exposição constante ao barulho, as pessoas começam a manifestar sintomas de estresse, depressão, insônia e agressividade. Os riscos de infarto aumentam em 10 por cento para os que estão expostos a sons freqüentes na faixa de 55 a 75 decibéis. Acima de 75 decibéis, as possibilidades de infarto são 20 por cento maiores.

Experiência feita com uma vaca demonstra a gravidade da poluição sonora. Depois de receber 90 decibéis de som por um minuto, o animal passou 30 horas em total desequilíbrio orgânico. A vaca teve alterados seus níveis normais de colesterol e cortisol. Em outra pesquisa, jovens de 23 anos foram expostos a sons de 85 a 90 decibéis. Eles tiveram seu cortisol aumentado em até 68 por cento. O nível do colesterol subiu 25 por cento”

Integrante do Instituto de Pesquisas sobre o Cérebro da UNESCO, sediado em Paris, o prof. Fernando Pimentel, da UFMG, mostrava-se à época, preocupado com a qualidade do sono do brasileiro. Segundo ele, as pessoas não têm consciência de que sua insônia pode ser causada pelo excesso de barulho do dia-a-dia. Colhi esse comentário no jornal O POVO de alguns anos atrás. E então, humano vira vaca, depois da poluição sonora aeronáutica?

Saudações da pARTE do Hélio Rôla

Para aderir à campanha contra o barulho aéreo
Poluição sonora e aviação comercial em Fortaleza (abaixo-assinado)

Para seguir Hélio Rôla
Rolanet (blog)
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Veja outra: “Em nome da galinha”



Em nome da galinha
Hélio Rôla

Desta feita não falo em nome dos humanos, nós, pra quê gastar verbo com uma espécie que parece morta dentro das calças diante das atrocidades progressivas do lucro a qualquer custo?… Falo em nome das galinhas e de outros bichos aqui da Lagoa Redonda e da cidade ao largo que sofrem recursivamente com a brutalidade cotidiana da aviação comercial… Mais uma vez me dei ao trabalho de configurar o horário de pico dos voos durante as madrugadas.

Vamos ao relatório aéreo noturno do dia 20 de junho de 2011. As evoluções da tirania empresarial aeroviária, a uns 10 km do aeroporto Pinto “Martírio” (decidi chamar assim) começaram precisamente às 1:59 e logo a seguir até às 6:00 horas da matina vieram 11 outros aviões… 2:14; 2:34; 2:39; 3:17; 3:26; 3:28; 3:32;…5:10; 5:29; 5:49; e 6:08… parei aqui, mas logo teremos a revoada matinal e daí tudo recomeçará… Pois não é que mal acabei da falar e logo vieram os aviões das 7:06; 7.09; 7:18…

Enfim, contando somente os da madrugada foram 12 aviões em 4 horas o que equivale a um avião a cada 20 minutos. Tem quem agüente? Nem a “mídia” nem as “autoridades” ouvem nada e nada dizem… Essa surdez e indiferença delas deve atender a algum objetivo monstruoso, às vezes penso que sim. Mas, qual seria ele?… Em resumo, esse é o padrão noturno do abuso socioambiental que se repete, com mínimas variações, produzido recursivamente, todo dia, pela aviação comercial sobre a cidade de Fortaleza, não somente no entorno do aeroporto Pinto “Martírio” mas também e mais ainda ao longo das rotas aéreas sob as quais vive uma parte expressiva da população da cidade.

O que fazer? Dar mais atenção às galinhas e aos bichos brutos non sapiens que fazem parte do nosso viver? Sim! Talvez os movimentos de proteção à vida animal nos possam ser de alguma ajuda. Seria preciso declinarmos de nossa identidade cultural chamada de humana e guardar apenas a identidade biológica de sapiens de nada..?

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