Plínio Bortolotti

O governo Fifa e a meia-entrada

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Meu artigo publicado hoje (4/8/2011) no O POVO.

"FIFO 2014, o Redentor bom de praia e de bola...", de Hélio Rôla (clique para ampliar)

O governo Fifa
Plínio Bortolotti

Que era um tremendo papo furado o palavreado de que não haveria recursos públicos na preparação da Copa do Mundo todo mundo já sabia. Nem era preciso ser pitonisa para descobrir que tudo ia ficar para última hora, justificando a generosa intervenção do Estado para salvar a honra do país, que não pode fazer feito frente à “comunidade internacional”.

Tirante o dinheiro para itaquerões (estádios particulares) e quetais, o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura da cidade, gastaram R$ 30 milhões para organizar a festa em que foi feito o sorteio das chaves da Copa do Mundo.

Fora isso, o aeroporto Santos Dumont* foi fechado para pousos e decolagens por quatro horas, de modo a não atrapalhar a festança. Duvido que algum país de “comunidade internacional”, isto é, daqueles que se tão ao respeito, aceitaria tal coisa. Imaginem se Nova York fecharia o aeroporto John F. Kennedy ou mesmo o La Guardia ou se Londres aceitaria que o Heathrow ficasse quatro horas parado, a pedido do sr. Joseph Blatter (Fifa) ou do equivalente deles de Ricardo Teixeira (CBF).

É a Fifa que chega mandando – inclusive desrespeitando as leis – sem nenhum pudor.

É o caso da inexistência de meia-entrada para estudantes nos jogos da Copa do Mundo. Mesmo que a meia-entrada seja questionável – e há bons argumentos daqueles que defendem o seu fim -, o caso é que a meia-entrada é instituída por leis, devidamente votadas em Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Se uma empresa brasileira não pode optar por descumpir a lei, por que a Fifa/CBF ganha esse privilégio?

Ao aceitar esse tipo de coisa, os poderes instituídos do Brasil: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário estão dando um péssimo exemplo aos brasileiros e reconhecendo que existe um pode acima deles. O poder Fifa. Vamos ver se outras instituições da República – como o Ministério Público, por exemplo – vão agir para pôr as coisas no lugar.

Afinal, todos querem a Copa no Brasil, mas não a qualquer custo.

*Até às 17h30min de 4/8/2011 estava anotado aeroporto Tom Jobim, alertado por um leitor, fiz o acerto.

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