Plínio Bortolotti

Nada a declarar? Por que nem o secretário e nem o governador falam sobre o caso dos empréstimos consignados?

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Meu artigo publicado na edição de hoje (10/11/2011) do O POVO.

Nada a declarar?
Plínio Bortolotti

O deputado Heitor Férrer (PDT) vem denunciando, na Assembleia Legislativa, o que ele chama de “esquema” montado por Luís Antônio Ribeiro Valadares de Sousa, que lucraria indevidamente com empréstimos consignados dos servidores públicos do Estado em bancos conveniados.

Valadares é genro de Arialdo Pinho, secretário da Casa Civil, um dos três homens mais poderosos do governo Cid Gomes (PSB).

Escorado em documentos, Férrer garante que foi utilizado subterfúgio para que uma única empresa – de propriedade de Valadares – controlasse o acesso ao crédito oferecido aos servidores. Pela intermediação, a empresa ficaria com um percentual dos empréstimos.

O “esquema” teria começado em 2009, em licitação para contratar uma empresa para gerenciar os empréstimos: ganhou a ABC, que sublocou o serviço à Promus; esta, por sua vez, é controlada pela CCI, empresa da qual Valadares é proprietário.

Segundo o deputado, o serviço encarece os empréstimos em 19%, que iriam para a Promus, propiciando movimentação entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões mensais. Mais recentemente, Heitor Férrer voltou à carga para dizer que a CCI também controla o sistema de Cartão Único, banco de dados com todas as informações dos servidores.

A Prefeitura de Fortaleza, que também oferece empréstimos consignados aos seus servidores, o faz sem a intermediação de empresas.

Arialdo Pinho, que costumava ser prolixo no Twitter (rede de microblog da Internet), calou-se. O governador faz de conta que o negócio não é com ele. Ambos agem forma obscura, o oposto do que deveria fazer um governo democrático.

Comportam-se ao modo de outro cearense famoso, Armando Falcão, ministro da ditadura militar. Seu bordão aos jornalistas: “Nada a declarar”, ficou famoso. Ele estava de acordo com os princípios tortuosos do governo a que servia.

O problema é ver que, em plena democracia, ele ainda encontra discípulos; sem, ao menos, serem incomodados pelo poder que deveria chamar-lhes a atenção: a Assembleia Legislativa.

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