Plínio Bortolotti

Steve Jobs, Henry Ford e Lula

Meu artigo publicado na edição de hoje (24/11/2011) do O POVO:

Steve Jobs, Henry Ford e Lula
Plínio Bortolotti

Nunca entendi bem a devoção de muitas pessoas a um ídolo, seja ele jogador de futebol, artista, político ou alguém dedicado ao mister de fazer dinheiro. São pessoas que desenvolvem uma espécie de gozo terceirizado, quando poderiam buscar ou ver alguma coisa de interessante em suas próprias vidas.

Foge ainda mais à minha compreensão os amantes de marcas, como mostrou recentemente matéria neste jornal. Gente que se rasga para defender um objetivo inanimado, adoradores dos novos bezerros de ouro.

Nada escrevi sobre a comoção que se seguiu à morte de Steve Jobs, santificado pelos “seguidores” de seus produtos – e por algumas mentes colonizadas que povoam publicações do sul e sudeste.

Se venho agora ao assunto é devido à matéria no suplemento New York Times/O POVO (21/11/2011) – “Desistentes e mastigadores de dados” – na qual um articulista louva o fato de empresas como a Apple, Microsoft, Twitter e Facebook, serem dirigidas por “desistentes de faculdades”, pois as escolas, supostamente, sufocariam a “criatividade”.

No Brasil, muitos dos que reverenciam Jobs e Mark Zuckerberg (Facebook) – dois dos “desistentes” – são os mesmos que apedrejam Lula pelo mesmo motivo. Só que no caso de Lula, foi a vida a lhe negar a oportunidade de chegar aos portões da escola.

O que essa gente parece desconhecer é que Deus é injusto na distribuição do talento e da genialidade. A poucos ele toca com esses atributos. Para cada Jobs e Lula – sem educação formal – que dão certo, milhões amargam o fracasso por terem fugido ou não terem tido a oportunidade de frequentar os bancos escolares.

A propósito: por que Henry Ford é considerado por muitos como um capitalista malvado e Steve Jobs ganha status de herói? O primeiro inventou a massacrante linha de produção para produzir carros baratos; o segundo – por motivo equivalente – mandava montar seus produtos na China que, no século XXI, dá tratamento aos seus operários equivalente ao que vigia no século XIX.

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